O smartphone, a solidão e a manipulação

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SUMÁRIO: 1. Nunca estamos sós; 2. Nossos sensores e nossa consciência; 3. A escrita e a ampliação da consciência social; 4. Continuamos a ampliação da capacidade de emissão-recepção; 5. Orelhão e smartphone…sem transmissão de cheiros; 6. Inquietações sobre dificuldades de eleger; 7. Para curtir mais.

  1. NUNCA ESTAMOS SÓS:

01. Não estamos sós, nossos sensores que confirmam isto. Não vivemos, sem as relações sociais que nos ampararam no parto, na infância, ao longo da vida e da velhice. Estas relações duradouras, são que permitem a existência de nossa espécie; É redundante recordar, que as mesmas ocorrem com o uso do tato, da audição, visão, olfato, paladar e, pela emissão de sons na comunicação verbal e corporal.

02. A negação da convivência com os nossos grupos referenciais, a família, os amigos, a vizinhança, os colegas de trabalho, a comunidade, é causadora de tristezas, sofrimentos. Esta é a razão pela qual surgiram as punições pela expulsão, exílio, ostracismo, encarceramento. Nada mais desumano, do que a prisão numa cela solitária e sem luz, ela causará transtornos que levarão a loucura. O abandono, e especialmente, a solidão imposta a um indivíduo é,… a negação de sua humanidade. Somos uma espécie social, por esta razão, não podemos estar sós. Queremos as amizades, o encontro, a diversão social, as festas, a alegria de vermos e sermos vistos, de nos sentirmos em nossa essência, espécie que só vive, imersos na sociedade.

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2. NOSSOS SENSORES E NOSSA CONSCIÊNCIA:

03. São pelos sensores, que nos relacionamos com o que nos cerca, seja o ambiente natural e, em especial o que construímos em nossas relações sociais. A grande extensão de nossa pele, nos informa das condições térmicas, das sensações físicas do concreto que tocamos, quer seja uma pedra, uma folha de papel ou o contato físico com a pele de uma criança ou do ser amado. A mudança térmica sentida pela pele e o tato, nos fez chorar ao nascer e, pelo tato fomos acariciados, nos sentimos acolhidos e seguros nos primeiros abraços de nossas existência. Ele está conosco sempre, como atestam a valorização dos apertos de mãos, dos abraços e, das terapias das massagens.

04. Não que o tato tenha precedido o funcionamento dos demais sensores, do olfato do corpo que nos amamentou, do ouvido que identifica a voz materna, etc… Estes sensores, com a visão, atuaram sempre em conjunto, criando a consciência de existirmos.

05. A capacidade de regular a respiração e emitir sons diferenciados, desde os primeiros suspiros, choros, berros, risadas, até as primeiras palavras ensinadas pela mãe, desenvolveram a capacidade de comunicação, de emissão de mensagens e de respostas, no entorno de social onde vivemos. O uso da palavra, o encanto do diálogo, da oratória para convencer, do canto para…encantar, é uma característica bela de nossa humanidade, por ela expressamos aos outros, o que nossos sensores captam, nossas experiências interpretam e, interagimos, construindo e reconstruindo, velhas e novas certezas.

3. A ESCRITA E A AMPLIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA SOCIAL:

06. A escrita, uma codificação de sons, de palavras congeladas em signos, ordenam a mensagem e a multiplicam, perenizando a capacidade da argumentação oral. Ela registra em signos momentos informativos, evitando o esquecimento. As consciências humanas em diálogo, podem ter interpretações diferenciadas, podem ter esquecimentos, enganos, daí o surgimento da escrita para sanar isto.

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07. A mensagem escrita, leva a palavra do seu autor para um destinatário, que não está ao alcance da voz. Com os livros impressos, esta mensagem tem multiplicado o seu alcance. Cada biblioteca, é uma templo de magias, cada livro é um condensado de feitiços e encantos, só acessíveis para os iniciados no uso dos códigos, que congelaram as falas e pensamentos humanos no pergaminho, papiro ou papel. Os adolescentes de hoje, talvez ignorem a importância disto, de como as mensagens, as “idéias” de uns passaram a ser conhecidas por outros em locais distantes via registro escrito, o som transformado em signos num papel. Poucos recordam o momento de saída dos jornaleiros as ruas, com a edição diária do Correio do Povo; não sabem a espera no pequena cidade, da chegada do ônibus da capital, com o pacote de jornais com notícias de ontem… para saber “das novidades”. Escrever é um exercício muscular da visão e tato usando uma pena, caneta ou, o teclado, a sua leitura do impresso ocorre pelo uso da visão e, se multiplica pelo diálogo opinativo, da discussão da mensagem.

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4. CONTINUAMOS NA AMPLIAÇÃO DA CAPACIDADE DE EMISSÃO-RECEPÇÃO:

08. Lembrem como a voz foi levada a distância, permitindo o milagre técnico do diálogo humano instantâneo. A telefonia, antes um privilégio para poucos, está agora em nossas vidas permitindo que a consciência das relações sociais se amplie. Recordo quando criança, esperando a telefonista chamar, um telefone de manivela que esperamos horas e finalmente, a mãe me segura no colo para falar com o pai e, chorei de saudades ao ouvir a sua voz…; Lembro a espera na fila, no único orelhão nos confins da Amazônia, ligando com fichas para casa, e ouvir a voz da amada e dos filhos, constrangido pelos que ali sentavam para ouvir a minha conversa …; O telefone, desperta em nossa consciência o reconhecimento único, peculiar dos sons, que só cada boca sabe emitir e…que identificamos de imediato e nos traz com este som, as imagens das recordações.

09. Vivi e recordo a mudança das audições. O cotidiano amanhecer com as notícias do “reporter Esso”; as noites com as novelas radiofônicas intermináveis, como “O Direito de Nascer” que provocava choro na mãe; os “programas de rádio” com os concursos de melhor cantor; as propagandas, os discursos com a arte da oratória. A histórica capacidade de mobilização de multidões, desde Porto Alegre e pelo Brasil, em agosto de 1961 com Leonel Brizola, quando ficamos dia e noite grudados no rádio. Os antigos rádios, quando ligados, eram momentos especais e isto sabem, os que ouviram magnetizados uma partida de futebol pelo rádio, era ver o campo e os jogadores, com os olhos fechados…vendo tudo, sofrendo, suspirando, suando, gritando, etc… A audição radiofônica podia se escutar no escuro ou com pouca luz, era indiferente o som carregava a magia visual da imagem. O futebol na TV, embora esta o demonstre em tempo real, nunca chegou aos pés das narrativas radiofônicas. Na verdade, se via o futebol na TV, sem o som da mesma para não atrapalhar a narrativa do jogo pelo rádio. E agora, sem meu radinho, se acabou, não tenho paciência para comentarista de futebol de TV, é …desanimador.

10. O aumento da abrangência do rádio, não ficou em nossas casas, atingiu os automóveis; Todos sabemos que os bons carros não funcionam, se o rádio não tiver rádio. Mas, o salto revolucionário foi a passagem do rádio de válvulas para o de transistor, o rádio de pilha não pode ser esquecido. Radinhos e… verdadeiras “maletas radiofônicas”, com pilhas grandes, deram uma mobilidade espetacular ao uso do rádio. Durante anos, ter um rádio de pilha significava autonomia, eles se multiplicaram pelo mundo, alavancados pelos japoneses.

11. Se o rádio foi e é, uma ampliação da capacidade de emitir mensagens, com o cinema as imagens se juntaram com os sons. O rádio à pilha, nos permitia escutar em qualquer local e a qualquer momento. O cinema não, ele exigia locais muito especiais, eram prédios continuação dos teatros. O cinema trazia, mais que a ópera ou o teatro, restritos as capitais e pequenos públicos, mais realismo, mais vida na apresentação. Ele é um multiplicador exponencial da literatura, não pode haver teatro nem cinema sem um, na língua do Louis Armstrong “script” (roteiro), o indicativo de como transformar o que se quer comunicar, a narrativa, em som e imagem, numa nova condensação da realidade. E o cinema faz isto com maestria, mesmo faltando o tato, o olor e o sabor das bebidas, comidas e beijos.

12. O cinema tinha impacto realista, nos primeiros filmes, a platéia aplaudia, gritava para os artistas na tela, tentando interferir no drama. Num filme, deram balaços num bandido furando a tela, para impedir que o herói, fosse atingido numa tocaia. Nos filmes de terror se gritava, fechando os olhos, alguns tinham que se dar as mãos, para sentir menos pânico. Acabamos nos adaptando às inovações, quando no final aparecia o triste The End, as luzes da sala se acendiam, voltávamos ao mundo real.

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13. O cinema viciou à todos. Ninguém, em nenhum momento, julgava isto ruim. Lógico que tinham os filmes proibidos para “maiores de 18 anos”. Os que não tinham 18 anos, se angustiavam em logo ter idade para ver as bobagens proibidas. O cinema era uma unanimidade como espetáculo, como evento social, ir ao cinema juntos, comer pipoca, ficar dias comentando o filme, aguardando outro filme com a atriz preferida, foi o cotidiano da nossa geração.

14. E surge a TV, muito diferente do teatro, da magia do circo ou do cinema, neste vemos e ouvimos, é um áudio visual como o teatro mas, no circo, sentíamos o cheiro do elefante e do leão, circo é mais realista. A TV é perturbadora, pelas propagandas que a sustentam. Ela é uma amostra permanente de produtos criadores de novas necessidades, que se descobre enganado para ver… um filme, acompanhar um esporte, ouvir uma notícia, escutar um cantor. A TV, vai substituindo o rádio e o cinema. As décadas de domínio da TV, como o Globo no Brasil, geraram pela primeira vez uma unidade nacional de narrativas para conhecer e debater. Ela ditou modas, ela orientou debates e opiniões, ela elogiou, criou imagens, escondeu fatos, etc… pois todos, em todos lugares tinham TVs ligadas nas mesmas emissoras, como a Globo.

15. O importante, é que a TV, ao trazer uma variedade pautada pelo mercantilismo permanente, levou o cinema para casa em novo formato, nas novelas… filmes fatiados, distribuídos em partes, que permitem no seu transcorrer, pesquisas e adaptações às reações do publico, o que não ocorre com um filme no cinema. As novelas, que sabemos o começo e o que vimos, nunca temos certeza de quanto durará nem como acabará. O roteiro tem o compromisso de cativar, prender a atenção, ter audiência, pois enquanto se assiste, se infiltra a propaganda que molda nossos desejos e, induz nosso consumo.

5. ORELHÃO E SMARTPHONES, … SEM TRANSMISSÃO DE CHEIROS

Imagem: Casacor https://casacor.abril.com.br/design/50-anos-orelhao/

16. O velho telefone, deixou de ser preto e com um disco para fazer a ligação, surgindo os coloridos como o famoso telefone vermelho e, a novidade dos teclados, agora substituídos pelo toque na tela. A importância de podermos dialogar mesmo sem nos ver, se transformou numa necessidade permanente e crescente. As mudanças se ampliaram e alguns esquecem dos telefones sem fio, com limitado espaço de uso, dentro do escritório ou da casa ou, os aparelhos de “bips”, para carregar na cintura e ser chamado para ligar com urgência para um certo número (eram uma tortura para os médicos plantonistas).

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17. A necessidade de comunicação social e econômica, gerou o telefone público. A CBT (Cia. Brasileira de Telefonia), em 1973, demanda um modelo para atender esta demanda nas peculiaridades tropicais brasileiras; Isto resulta no desenho inovador do ORELHÃO , trabalho da arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que foi premiado e copiado para outros países. Chegamos a ter 1, 3 milhões de orelhões no Brasil, e até o final do século passado eles faziam parte de nossa paisagem. Atualmente são poucos e… poucos funcionam. A privatização da telefonia e a tecnologia dos telefones móveis individuais, que interessa as operadoras, restringiram a expansão e manutenção deste rede. Assim, os compromissos destas empresas de manter e expandir a cobertura dos telefones públicos, foi “substituído” pelas “inversões” em mudanças tecnológicas para os telefones móveis.

18. Agora, parece que quase tudo podemos fazer com os telefones móveis. Com o surgimento dos smartphones, tudo cabe no seu bolso, é só ter capacidade de comprar e pagar a conta. As estatísticas do número destes telefones, são impressionantes, a ANATEL indica a existência de 256,3 milhões de telefones em 2023, mais dos que os 211 milhões de brasileiros estimados para 2024.

19. O telefone esperto (smartphone) está onipresente. Quando uniu a sua função de diálogo, com as mensagens, gravador, com o rádio, com a imagem instantânea foi um salto tecnológico tremendo, só possível pela grande rede de antenas que o Brasil construiu antes de privatizar e a realidade da rede de satélites. Agora, textos são enviados, músicas de agora e. dos tempos do rádio são ouvidas, notícias em tempo real, mapas e localizações, uber é usado, compras são feitas entregues, textos são estudados, cursos são assistidos, fotos são feitas, armazenadas e enviadas, filmes caseiros são distribuídos, o que mais?? O essencial para aumentar os negócios, iniciados com as propagandas no rádio e TV, as compras são realizadas pelo telefone móvel e… contas são pagas de forma segura (pix).

20. A onipresença comprovada do smartphone, rapidamente criou novos comportamentos. Mas, sejam quais forem, será via celular que saberemos das novidades, que influenciam nossas opiniões e vidas confirmando ou mudando as mesmas. Chegamos ao momento, em que já temos programas de celular para controlar o vício de ficar “ligado” na telinha. As discussões sobre se isto é ruim, quanto de dano fazem, etc… se aguçam. Parecem que todos são unânimes que sabem controlar o seu tempo de uso mas, criticam os demais, que abusam do mesmo perniciosamente. Existem estatísticas de horas diárias de uso de celular e, os números são assombrosos, se forem verdadeiras, quero saber quem ainda trabalha? parece que todos só olham para a telinha. No entanto, é um fato que as telas de TV nos ambientes públicos, estão em obsolescência pois mesmo ligadas, todos olham… os seus celulares. Os jantares de família muitas vezes são em silêncio,…acompanhados de celulares; vemos crianças em cadeiras ou carrinhos, com celulares na mão e velhos, olhando tristes para o vazio, enquanto a família olha para as telinhas;

21. O temor da solidão mudou, tendo um celular nunca mais nos sentimos sós. Estamos acompanhados sempre, estamos ocupados sempre, de modo geral recebendo, sendo influenciados e, com esforço emitindo algo. Afinal manter espaço numa “rede social”, exige tempo e atenção, muito mais do que apenas consumir, ver o que outros produzem.

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22. Vivemos em concomitância, dois momentos, quase duas vidas? Uma presencial e outra virtual? As famílias e amizades se fortalecem com a complementação do celular? A prática indica uma resposta positiva a isto e, o celular amplia nossa capacidade de relacionamento, diminui a desumanidade da solidão. Vivemos a fase da mudança, de complementar nossa vida presencial, com a virtual e, saber administrar isto é o desafio presente que, os poucos que viveram as mudanças, percebem, talvez com mais intensidade, do que os jovens.

23. Vemos instituições como as de educação, se debaterem com atraso a este desafio. Discutem proibir o uso de celulares, da necessidade de distribuir tablets, etc.., sem partir logo para um celular para cada aluno e, instruções de como usar. Cada sala pode ser um rede de desenvolvimento educativo auto-gerida pelos alunos+professores. Assim, os Conselhos de Educação, programas e conteúdos serão apenas uma referência distante, dos ritmos, vontades e necessidades destas redes. Afinal, isto é o que ocorre com todos, pois todos estamos totalmente imersos na dependência da internet e do seu prático acesso no nosso bolso, o smartphone.

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24. Em tempo: o olfato, ao contrário dos outros sentidos parece ter menos importância em nestes tempos de uso da internet e seu smartphone. Afinal, amestramos os cães, para podermos usar a sua audição e olfato pois sabemos da pouca alcance olfativo de nossos narizes. No entanto, sendo rentável, no ritmo que vamos… logo teremos um app olfativo para baixarmos. Será genial ligar para casa e, sentir o cheiro do lar ou, do carreteiro de charque no fogão; que tal assistir um banquete num filme, sentido o olor no momento de degustar o vinho?

6. INQUIETAÇÕES SOBRE DIFICULDADES DE ELEGER:

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30. Seremos substituídos por robots? Os mesmos podem diminuir em quanto, as nossas horas diárias de trabalho? Isto nos daria tempo para muitas atividades, entre elas usar o smartphone. Ou, o aumento do desemprego criará uma renda mínima universal para pagar o essencial? sendo nisto a conta de luz e … do smartphone?

32. Se todos os templos do saber estão nos nossos bolsos, as pesquisas, as notícias, o lazer, dependerá só de acessar isto? Ali também. estão os amigos, familiares, os amados e os … menos amados; No smartphone que usas, esta uma parte da humanidade, com suas grandezas e mesquinharias, com sapiência e ignorância, só descobrirás isto…acessando e elegendo. E os limitantes do acesso neste universo é o teu tempo de pesquisa e, saber priorizar tuas reais necessidades. Isto orientará o uso do telefone esperto mas, se não sabes o que neessitas, te perderás na voragem de informações.

33. O smartphone, ao ampliar o alcance dos sentidos e multiplicar as relações interpessoais como nunca tivemos, materializou-se numa poderosa alternativa de desenvolvimento humano. No entanto, controlado por multinacionais tecnológicas que ganham, induzindo estilos de vida consumista, transformou nossa fuga da solidão, em negócio lucrativo para elas e… temerário para nós e, nisto estamos ENVOLVIDOS.

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34. Numa sociedade onde a produção econômica não é só para atender as reais necessidades humanas, e sim para o consumismo exponencial, criar massivamente desejos, comportamentos, que garantam a venda de produtos e valorizem estilos de vida insustentáveis, é essencial. Se o rádio, a TV, o smartphone permite acompanhar a evolução tecnológica da sociedade de consumo, sentir pelo telefone, apenas a necessidade da compra não basta, isto já mudou, para a atual realização da aquisição remota (pix), satisfazendo o desejo.

35. A cada dia, os estudos são mais consistentes demonstrando que o smartphone é um sucesso pois amplia nossa socialização. Mas, a cada dia sabemos mais, de como usando esta fabulosa máquina, somos manipulados sem o saber. Muitos são os estudos e recomendo o de FISHER (2023), muito documentado. Como espécie social, a “fuga da solidão” demanda vivenciar as relações sociais, nossa consciência é resultado da imersão no ambiente natural e das relações interpessoais. Buscamos no smartphone isto, nos comunicar e… buscar a referência de opinião dos grupos sociais do nosso entorno, onde vivemos para nos orientar. Monitorar isto, saber isto, o que os algoritmos fazem, significa não apenas conhecer, em escala nunca imaginada as emoções, sonhos, desejos de multidões, como tb. corrigir produtos, lançar novidades, eliminar outras, etc..; A diferença entre o mundo das mercadorias e o mundo da ideologia (religiosa-partidária), é ínfima, quase secreta mas, cada vez mais persistente neste século, um século onde os radicalismos afloram, são induzidos.

32. Agora, que algoritmos podem monitorar o que as multidões pensam, que podem testar, validar tendências, nuances, criar novas “certezas”; Vivemos uma época de mudanças, onde saber o que queremos e como alcançar isto, está mais difícil eleger. Se a indução massiva para a compra é um fato antigo, o mesmo também ocorre na vida política. Talvez por isto, com os novos algoritmos de acompanhamento de opiniões e, direcionamento das mesmas, ficará mais seguro e barato a confirmação dos resultados induzidos-esperados, substituindo a urna eleitoral por um aplicativo no smartphone. Vivendo estas mudanças, incertezas, escolher, eleger, é desafiante e, ficamos felizes, quando os jovens, como agora nas Universidades dos EUA, entendem que muito tem que mudar.

7. PARA CURTIR MAIS:

Um exemplo da comunicação de massa, radiofônica e mobilização em defesa da democracia, temos no clássico: SILVA, Jurandir Machado da. Brizola vozes da legalidade (política e imaginário na era do rádio). Porto Alegre: Ed. Sulina, 10ª edição, 2021 e, em ÁVILA, Ney Eduardo Possap. Um olhar sobre a legalidade 1961: 13 dias que abalaram o Brasil. Passo Fundo: Ed. Berthier, 2012; Muito bem documentado, sugiro conhecer o “horror” de informações sobre poder de manipulação em: FICHER, Max. A máquina do caos – como as redes sociais reprogramaram a nossa mente e nosso mundo. S.Paulo: Ed. Todavia, 2023;

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