
SUMÁRIO: A – A que nos referimos? B- Os elementos essenciais da guerra; C – Um elemento importante, o financiamento; D – A grande empresa GUERRA S.A.; E – Guerras midiáticas atuais: rápidos comentários ; F – Para saber mais; (2024 – ver neste blog “GUERRA, quem ganha e quem perde)
A – A QUE NOS REFERIMOS?
01.Não nos referimos as guerras prolongadas (recordam a dos 100 anos?), mas a um belicismo de maior ou menor intensidade, em diferentes áreas do planeta mas constante, “auto-sustentável”, com suas nuances regionais peculiares, como sendo o objeto deste ensaio.” Se trata de conflitos entre unidades políticas independentes (nações), ou internos, com o fim de atingir ganho à força para uma das facções ; Ao especificar o conflito entre nações e períodos, nos aproxima das guerras sistematizadas pela História, o que fica mais fácil o entendimento. A identificação dos conflitantes é facilitadora, como agora nos exemplos midiáticos da Guerra da Ucrânia, ainda em curso (Federação Russa, Ucrânia, OTAN). Esta guerra tem um propósito definido pela Rússia, com um teatro operacional claro e divulgado, ficando de fácil compreensão, do que examinarmos outros ambientes bélicos como o Oriente Próximo, exemplificando agora Israel-Plestina (Hamas) com seu entorno e, a retomada da guerra civil Síria.
02. Não podemos esquecer, que a guerra, é sempre a continuidade da ação política por meio do uso das armas, e portanto, se resolve quando as forças em disputa resultam na vitória de uma, ou por um acordo de novo equilíbrio, que pode congelar, protelar o conflito ou, gerar nova situação de paz.
B – OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DA GUERRA:
03. O processo de “passagem” de relações pacíficas entre nações, para o estado de guerra, sempre necessita de antecedentes, que construam as narrativas dos cotidianos das relações, entre as nacionalidades . E, a narrativa da comunidade nacional, é uma construção de diferenciações entre o que somos e, em que os outros se diferenciam de nós, cooperando, concorrendo ou hostilizando. O território (as fronteiras), as leis comuns, as etnias, a linguagem, a cultura, alicerçam a diferenciação e nelas, as pessoas se abrigam, se identificam, num sentimento de pertencerem a algo comum e.., serem diferentes dos demais.
04.A narrativa da construção da nacionalidade, é uma explicação cultural, de como construímos ao longo de gerações, nossas diferenças das demais nações; Um efeito deste “tenebroso” resquícios do tribalismo primitivo, é de como os outros podem ser percebidos como uma ameaça para nossa comunidade ou, aceitos como amigos e aliados. Os fatos e suas interpretações, desde os mais amigáveis aos hostis, desde os explicáveis até os manipulados, nas relações internacionais entre o nós e os outros, modificando, reforçando as imagens do inimigo ameaçador ou do amigo aliado.

05.A narrativa nacionalista, tem que criar a confiança de que nossa comunidade, no meio de tantas, tem características melhores que as demais. Esta crença, é essencial para a unidade. Somos os melhores em muitos ou alguns aspectos, em comparação com as demais nacionalidades e isto, é o alicerce para autoconfiança e, podermos desconfiar do que não conhecemos, e mesmo derivar a ameaça e o medo, a predisposição para a defesa. No entanto, quando em comparação com outros, os julgamos melhores, mais fortes, não tendo auto-confiança, nos sentimos inferiores, já estamos dominados sem violência bélica, pela capacidade da ideologia narrativa de outrem.
06. Quando esta narrativa nacionalista, tem o respaldo de uma religião e recordamos como isto se confundiu com tantas guerras no passado (lembram das Cruzadas?) e agora aflora com Israel na Palestina, o poderio da narrativa ideológica multiplica sua força de coesão.

07. A existência ou invenção, de inimigos com possibilidades, reais ou imaginárias, de serem agressivos, de nos prejudicarem ou destruírem, é um poderoso auxiliar na unidade nacional, essencial para a irmos à guerra. Sem inimigos, reais ou imaginários, que “influam” em nossos sofrimentos cotidianos, justificando a necessidade do uso da força para alterar a situação, não temos unidade de propósitos coletiva, para legitimar e executar a ação militar quer defensiva quer ofensiva.
08. Portanto a lógica, exige a capacidade de construção de uma ideologia nacional, como base de tudo e, a guerra será movida e pautada com isto e, assim como seus resultados, reforçando, alterando ou destruindo, a narrativa inicial, da justificativa do conflito.
09. Porém, a guerra demanda, além da narrativa que a justifique a necessidade de outros elementos básicos: OS GUERREIROS: São os envolvidos nos combates, desde os especialistas de guerra até os voluntários, bem ou mal treinados, A guerra exige uma divisão técnica do trabalho, entre os treinado e que sabem matar e…os que colaboram. No passado eram um categoria, os guerreiros, os cavaleiros, os samurais, etc..; Continuam como uma categoria especializada (oficiais, sargentos, soldados), no uso das cada vez mais complexas ferramentas de matar. Os guerreiros, são os que sabem matar e tem direito a isto; estão convencidos pela narrativa ideológica e legitimados pelo governo para assim agirem. São treinado para se arriscarem suas vidas e, se mais matarem, mais serão glorificados. Na guerra, a política com o formato de violência mortal, altera totalmente a aplicação da ética. Na paz, matar outro é ação de criminoso, é homicídio punível; um soldado que mata o inimigo, faz bem o seu trabalho, é um herói premiado, não esquecido.

10. Os guerreiros, podem ser: incorporados por força legal ou voluntários e, treinados por períodos diversos; podem ser profissionais contratados só para lutar (os meercenários, como a Legião Estrangeira, Grupo Wagner, Empresas nos EUA,…), podem ser criminosos que lutam por diminuição de penas, etc..; Estas diferentes modalidades existem em todas guerras, com maior ou menor intensidade, sem os guerreiros, as ferramentas (armas), não podem ser usadas bem utilizadas. E as ferramentas de matar, são cada vez mais complexas pois afinal, deixamos de lutar com pedradas e porretes já fazem milênios.
11. Algumas dúvidas sobre a eficácia de exércitos, baseados em jovens obrigatoriamente conscritos por períodos, é que cria a alternativa de contratação de profissionais terceirizados ou, de ter exércitos com guerreiros que ingressam por períodos longos, sempre remunerados e agora, de ambos os sexos.
12. Desde o final da guerra do Vietnã em 1973, os EUA, tem dificuldades de incorporar seus jovens nas suas forças armadas, denunciando a quebra de confiança interna nas narrativas das justificativas bélicas. Aliás, esta guerra foi perdida tanto no campo de batalha, bem como dentro dos EUA, com o surgimento dos movimentos pacifistas, que acabaram com o serviço militar obrigatório naquele país.

13. As ações demonstrativas da mídia norte americana na guerra do Vietnã, enfraqueceu a justificativa da intervenção bélica “imperial”. De isto resulta que os EUA censuraram a divulgação jornalística nas guerras seguintes, como no Iraque e Afeganistão. Mantendo o princípio de coordenar, alimentar com equipamentos os exércitos de países em “coalizões” de ataque e, substituindo o serviço militar obrigatório pelo de voluntários, com mídia mais controlada. Assim, os EUA continuaram em ações bélicas fora do seu território continental. Os voluntários recrutados, atraídos pelos salários, se originam nas minorias americanas internas, como migrantes e afrodescendentes e jovens de famílias pobres, ameaçados pelo desemprego. A derrota dos EUA no Afeganistão, depois de 20 anos de prolongada guerra, desnuda o problema da motivação das famílias e jovens desta nação, mesmo tendo forte superioridade tecnológica na produção armamentista.
14. O FETICHE DAS FERRAMENTAS DE MATAR: Sem ferramentas especiais, para matar mais e com mais segurança para quem as usa, as guerras continuariam breves em escaramuças, de porretes, facas, machados e facões, entre multidões alinhadas. As armas, são as ferramentas especiais, que construímos para esta atividade específica. A História da Humanidade, com suas guerras, é uma ilustração da permanente evolução das armas, desde as de uso corporal, até os mísseis intercontinentais. No entanto, só no combate, na prática real é que elas são testadas, melhoradas ou, substituídas. Recordam o diálogo, entre sujos de sangue e embarrados guerreiros gauleses, depois do entrevero com a legião romana? - Bom porrete Jean Paul, partiu o elmo e a cabeça do romano; o meu.. quebrou na segunda pancada, tive que correr, quase morri. Responde o bigodudo Jean; – Que nada, viu o estrago do machado do Pierre? Assim, o machado de guerra, mais eficiente, substitui o tacape. (inventei agora, imaginem outra versão…).
15. As ferramentas de matar, dão saltos inovadores devido a sua validação nos combates. As guerras também são para isto, para testar, descobrir, aperfeiçoar em “tempo real” tais ferramentas. Os períodos entre guerras, não trazem muitas novidades nestas ferramentas. Hoje de uma poltrona se elimina hordas de hunos galacticos, usando o joystick; O mesmo se faz, para quem gosta de siglas, com os VACONT (veículo aéreo de combate não tripulado), para distinguir estes, dos drones de tirar fotografias. Afinal, a luta à distância, sem o contato corporal é o que as ferramentas novas possibilitam, sem carregar mochilas, largas caminhadas, correrias, suor, bolhas nos pés, etc..; Agora os drones, fazem retornar o medo dos ataques dos kamikazes, com a grande diferença de que o piloto não se suicida no ataque e…continua atacando.
16. No entanto, a infantaria, é essencial. Mas, mesmos pedestres, os infantes são caros, para treinar, alimentar, municiar, deslocar, curar, etc… Assim, cada vez mais testamos : robots para substituirem soldados, cães de guerra para auxiliar, etc…. Se temos carros sem motoristas e combates de caças entre pilotos e aviões não-tripulados, onde os últimos vencem, o que falta? A decisão sobre a relação entre custo benefício, onde arriscar uma guerreiro treinado X o custo de um robot, ainda estão na balança. Afinal, os custos são essenciais no sistema econômico dominante, prova disto é a massificação do uso de VACONTs baratos X misseis e caças caríssimos.

17. Sabemos, que as ferramentas são extensões de nossos corpos. Os satélites ampliam, multiplicam nossa capacidade de ver, os mísseis são a evolução de nossa capacidade muscular de jogar pedras, os drones a de ver e atirar mais certeiramente, etc… Assim, quem tem mais ferramentas, inovadoras, com alta capacidade de atacar rápido e, eliminar grandes quantidades de inimigos, tem mais possiblidades de ganhar o combate. Recordem a “solução” final, a bomba atômica. Em tese, é perfeita como exemplo de ferramenta para matar.
C – UM ELEMENTO IMPORTANTE, O FINANCIAMENTO :
18. Se a I Guerra Mundial (1914-18) faz a inflexão para a efetiva “guerra fabril”, exigindo produção industrial em 3 turnos para atender a demanda bélica e, com a metralhadora como a máquina símbolo, de matar mais veloz, será na II Guerra Mundial (1939-45), que se atingirá o ápice da capacidade produtiva de ferramentas de destruição, com as genocidas bombas atômicas, “testadas” em Hiroshima e Nagasaki.

19. As bombas atômicas, indicaram que a guerra precisou se transformar numa atividade permanente para a economia dos EUA e de outros países. O complexo industrial-militar, se afirma, tendência genialmente percebida por Hilferding com seu livro de 1910, Das Finanzkapital. O fato, do surgimento dos financistas, que vivem da compra e venda de ações mais rentáveis, de qualquer tipo de empresa e isto, é mais lucrativo do que ser acionista de apenas um ramo da atividade econômica, se consolida depois da II GM. Os tempos dos barões das indústrias, dos barões da mineração, das ferrovias, etc… deram lugar para os discretos, barões dos bancos, do capital financeiro, das empresas de gestão de ações. O predomínio absoluto da busca do lucro, em qualquer atividade é com o capital financeiro e, para isto, o mesmo busca as ações mais rentáveis,… e a indústria de guerra, em tempos de guerra, é muito lucrativa portanto, a guerra permanente surge como um negócio necessário.
20. A maior duração da II Guerra Mundial e, com efeitos diretos e indiretos em todas as latitudes, repetiu e ampliou a ECONOMIA DE GUERRA, já usada na I GM, com abandono do liberalismo pelo fortalecimento da ação estatal planificada em todos os países nela envolvidos. A economia de guerra ampliou as jornadas de trabalho, diminuiu os salários, endividou os governos, atrelou as empresas ao orçamento público com as massivas compras de equipamentos, gerou inovações, rompeu com tradições trazendo as mulheres para ocupar postos fabris, regulou preços e compras de cereais, criou cartões de racionamentos para compras, etc… O Estado “liberal” se modifica num “capitalismo planificado”, onde o período do New Deal, a emergência da guerra se confundem e justificam todos os esforços para manter o conflito. Na Alemanha, EUA, Inglaterra, etc.., as grandes compras governamentais para as empresas industriais direcionadas para a produção bélica, garantiu um lucrativo mercado cativo para as mesmas. A reconversão da “economia de guerra” ou, que fabrica ferramentas para matar (tanques,caças, submarinos,..), para os tempos de paz (onibus, tratores), ficou inviável para os EUA, como denunciou o General Dwight Eisenhower ao deixar a presidência deste país em jun/1961 (ver detalhes em COOK, 1966 e DANTAS, 2007). O que o General Presidente afirmava, que o complexo industrial-militar dominava os EUA, nunca se alterou. Sua constatação de fracasso, de que a economia não mais conseguisse funcionar sem a indústria bélica, afinal confirmava o escrito por Helferding em 1910.
D – A GRANDE EMPRESA: GUERRA S.A.
21. A constatações dos conflitos que os EUA se envolveram desde a II GM (Coréia, Vietnã, Guerras no Oriente Próximo, Afeganistão,..) confirmam que estes foram essenciais, para a manutenção de sua economia. Isto podemos ver em diversas publicações no anexo e, como em MAMPAEY & SERFATI, que denominam SIM (Sistema Industrial Militar), o que estudam. Afirmam que o mesmo nos EUA, é o resultado de : I – “Os acionistas institucionais e a “comunidade financeira” promoveram a reestruturação de megagrupos onde exercem controle majoritário; II – As relações entre tecnologias civis e militares se alteraram, em particular nas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) criando novas oportunidades para o SIM; III- As instituições políticas, em especial o executivo, reforçaram seu relacionamento com os grandes grupos industriais.Isto se percebe, com a suplantação do termo Defesa, pelo de política de Segurança Nacional para defender seus interesses vitais, como a democracia, a economia de mercado e o livre comércio, permitindo ações preventivas de ataques, em qualquer área que se sinta ameaçado”. Além das fronteiras, o planeta é o objeto da segurança da nação EUA; daí usarmos o termo globalização para substituir imperialismo?
22. O que temos? Um sistema político-econômico, em especial nos EUA, com forte influência, do capital financeiro. O grande empresário, não está num ramo produtivo apenas, como na indústria automobilística nos tempos do Henry Ford, que vendia tanto para a Alemanha do Adolfo (Hitler), quanto para os norte-americanos do Delano (Roosevelt), isto foi antes da II GM. Como sempre mais lucro, é o resultado da gestão de ações, mais lucrativas. Movimentar ações, saber influenciar as compras governamentais, suas emissões presentes e futuras, é o essencial para ter alta lucratividade na inversão. O grande capital é financeiro e, com inimaginável capilaridade espacial e setorial na economia, além do domínio das melhores TICs, busca aplicações rápidas e lucrativas, que ultrapassam governos ou, a ramos setoriais das empresas. Os governos, como dos EUA e outros com indústria bélica, são os que mantem o negócio de armas, de pesquisa espacial, de inovações, empregos, etc… com suas compras permanentes, com suas receitas tributárias e/ou, emitindo moedas e títulos para resgate futuro; Estes negociados com o capital financeiro, que disto se beneficia. Como as empresas de material bélico tem: empregados, instalações, consomem, produzem e pagam impostos, elas dependem mais das compras governamentais, do que do mercado civil para serem lucrativas. Isto é uma das razões pela qual a indústria bélica ser lucrativa, elas tem menos risco de flutuações do mercado do que as outras, seu comprador é o governo. Se compras um tanque, um submarino, o governo fica cativo da empresa pois, só esta pode produzir o necessário para a reposição de peças, munições, para repor em caso de destruição (combate), pois os soldados treinados num tipo de equipamento, precisam continuarem usando o mesmo, necessitarão de tempo para treinarem numa inovação (na guerra o tempo é realmente vital); As empresas bélicas não concorrem num mercado como as demais da produção civil , elas concorrem para um só comprador, para atenderem os contratos governamentais e, depois de vencerem a “concorrência”, dificilmente perdem este comprador (vejam dados dos orçamentos no SIPRI). Assim a guerra, para ser lucrativa, exige a contínua influência-controle, por grandes empresas, das decisões nas compras governamentais; isto foi dado a entender pelo Gal. Eisenhower e, é citado pela literatura; Afinal todos conhecem dos lobistas do complexo industrial-militar, suas doações para os fundos de campanha, seus contratos de generais reformados como assessores, etc… A a aliança do capital financeiro com o SIM, é um efetivo sistema político-econômico onde, além das garantias dos contratos respaldados pelo orçamento, pelas dívidas contraídas, a motivação das guerras “energéticas” (conquista de regiões com riquezas minerais) ou posições estratégicas, são mobilizadoras do lucro e pouco anunciado pela mídia.
23. Um exemplo atual, de busca de lucro…com os efeitos tristes da guerra, são os poucos divulgados grupos de interesse, que se organizam sobre a RECONSTRUÇÃO DA UCRÂNIA. Que não esperam o fim do conflito e que querem incutir decisões. Elas desnudam esta etapa de domínio do capital financeiro e esquecem os ensinamentos do livro do KEYNES (1919)? Nestes círculos, parece existirem dúvidas sobre o destino de Odessa, os ajustes da capacidade da UE (União Européia) em absorver os grãos da Ucrânia, e seus efeitos nos agricultores (Hungria, Polônia, França, Espanha..), etc… No entanto, tomando a guerra mais midiática de agora, nunca lembram da riqueza de carvão e ferro do Donbass, que parece aceito como já perdido para a Federação Russa.
24. Os Planos da Reconstrução da Ucrânia (ver Michael Roberts), começaram na Conferência de Lugano, usando a língua dos Beatles com a: MULTI-AGENCY DONOR COORDINATION PLATFORM FOR UKRAINE, sendo esta a base p/o planejamento do domínio de multinacionais no que…restar da Ucrânia pode logo se transformar na Conferência para a Reconstrução da Ucrânia (CRU-2023), com atividades em andamento, paralelas ao conflito. A empresa gigantesca dos bancos norte-americanos a BLACKROCK e o JP Morgan estão ”auxiliando” para operar um fundo, público e privado para investimentos em projetos específicos. Diversos governos, a UE, o Banco Mundial, FMI, empresas privadas, etc… participam, preparando para a futura Ucrânia, um novo formato de nação, um mercado livre, redução de barreiras alfandegárias, sem sindicatos, etc.., as terras ucranianas para para as multinacionais do agronegócio, construção civil, fornecedores de materiais, processamento de alimentos e logística defesa. O governo planeja um fundo de investimento para atrair financiamentos, com garantias para absorver eventuais perdas; Parece que se aposta na substituição ou aprofundamento da “parceria” dos empresários locais pelas multinacionais ou, com as mesmas agindo diretamente, sob o modelo de “gestão” indireta do capital financeiro. A UE (União Europeia) ja efetuou doações e, principalmente empréstimos de longo prazo (15-25 anos) para a Ucrânia, tendo um período de graça para esta dívida até 2033, com juros subsidiados a serem pagos pela própria UE, lógico que estes subsídios são pagos pelo cidadão europeu. Tudo indica, que a Ucrânia como nação soberana não existe, é um território do capital financeiro internacional. Estes detalhistas planos, indicam a confiança no complexo financeiro de inovar para lucrar, tanto na vitória quanto na derrota. Como operadores financeiros, uscam diminuir os riscos, sem consultar…os ucranianos já endividados por várias gerações, sem consultar que modelo de governo pagará as pensões de guerra (viúvas, mutilados, órfãos), etc.., assunto que saberão conduzir na mesa de negociações.
25. A guerra interpretada como uma empresa, não é uma caricatura, é uma real tragédia. Quando a nação decreta guerra, todos somos, obrigatoriamente, sócios deste empreendimento. Todos sofremos mais ou menos, direta ou indiretamente, sobrevivemos, nos ferimos, morremos ou matamos., nos acovardamos ou nos tornamos heróis No entanto, o orçamento público, que é contribuição de todos, pouquíssimos sabem que fica comprometido, endividado, até com as gerações futuras, nunca sabemos que as empresas que vendem para o governo ganham. Portanto, neste mundo em que todos os cidadãos tem direitos, são trabalhadores, guerreiros e.. contribuintes, são os acionistas universais da empresa pátria, só uns poucos tem direitos aos dividendos e, tem ações preferenciais e, o pior é que muitos não são compatriotas. Em caso de derrota, a situação se transforma, os títulos da dívida pública já foram vendidos pelo capital financeiro ou, reincorporados na dívida nacional de guerra e, com o alto preço da reconstrução, tudo será pago… com os impostos pelos que restaram vivos, se trata de uma típica operação especulativa, em GRANDE ENVERGADURA, de deixar as perdas para serem socializadas e, se retirar, transferindo ações e títulos, antes que as mesmas ocorram (O que já existem denuncias que esteja ocorrendo na Ucrânia).
26.Portanto, a guerra seja qual for o resultado, sim é sustentável e desejável para o capital financeiro, para os mercadores da morte.. A flexibilidade do capital financeiro, e sua atuação além dos espaços e controles nacionais, permite render sempre mais, seja qual for o resultado do conflito. As vidas perdidas, as mutilações físicas, as destruições de infraestruturas, o aniquilamento instantâneo de lembranças, a destruição de paisagens, os gastos energéticos, as mágoas, tristezas e construções de novos ódios, são apenas palavras, que modificadas, infelizmente, também podem gerar novos lucros.
27. Quando os governos nacionais são controlados pelo capital financeiro, ficam míopes. Se instala o CAOS. O capital financeiro com sua prática do lucro rápido, não tem compreensão das causas e efeitos, de curto e médio prazo do movimento geral das mercadorias. Atua valorizando tanto supérfluos como caças de combate, perfumes e navios de cruzeiro, como pode eliminar inversões em pesquisas médicas quando menos rentáveis, etc… Agora, alguns pensam que estas guerras buscam semear o CAOS, sím são caóticas mas, o caos está na incapacidade dos governos nacionais de cumprirem seus papéis, em face ao domínio do capital financeiro e, os conflitos armados caóticos, mantem a insegurança, que vendem armas.
E – GUERRA MIDIÁTICAS ATUAIS: COMENTÁRIOS RÁPIDOS:
28.Comentar guerra em curso, é arriscado mas, copiando o capital financeiro, vou correr o risco opinando, em nov/2024:
A – A guerra Rússia-Ucrânia guerra, esta sendo ganha pela lado em que o governo nacional, tem efetiva gestão sobre suas prioridades, seus recursos e controle do orçamento público, longe da ânsia especulativa, bem como narração nacionalista solida. Esta sendo perdida, por uma nação em crise, que opera sobre doações, empréstimos e promessas de subordinação financeira futura;
B – Esta não é uma guerra entre o sistema capitalista X planificação socialista, como uma caricatura da Guerra Fria (EUAXURSS); É uma guerra entre blocos econômicos: de um lado o sistema capitalista financeirizado, com EUA-União Européia, em profunda crise fiscal X e do outro, um novo sistema de economia de mercado rival, com fortes de alianças nacionalistas que, não aceitam a subordinação dos EUA e do seu braço armado, a OTAN;
C – A União Européia (UE), vive a angustia de: I. ter sido desmascarada como área dominada pelos EUA, via OTAN; II. não poder retomar um papel autônomo e, ter que aceitar seu declínio, em face à consolidação do novo bloco Russo-Asiático, com simpatias na África e América do Sul;
D – A guerra da Ucrânia, diminuiu fortemente os estoques armazenados de armas e munições nos EUA e dos países da OTAN, criando novas demanda para as empresas do SIM, tanto dos EUA, quanto da União Européia, e também de outros países (Irã, Coréia, China, etc..) acelerando a corrida armamentista; Esta demanda se multiplica, gerando consumo de matérias, primas, energia, mais postos de trabalho, impostos, super valorização de ações nas bolsas, dando sobre fôlego ao capitalismo financeiro;
E – Confirma uma etapa de inovações nas ferramentas de matar e modo de serem usadas. Testou e continua testando, desenvolveu novos métodos e equipamentos (drones, mísseis hipersônicos,..);
F – Serve para comprovar a importância da narrativa de que “existe o inimigo”, que tudo o que fazemos é para nos defender. pois a segurança nacional está ameaçada (A União Européia, se aferra a isto em todas mensagens), esquecendo as alianças passadas com a Federação Russa e acordos de interesses europeus com a China e Rússia. Agora, agrega na narrativa, de que a guerra será longa (não pode dizer permanente nem sustentável) pois o confronto com a Rússia e a China é “inevitável”, o que exige… mais recursos para armas;
G – A Guerra da Ucrânia se transformou na maior ameaça a unidade Européia. O seu cotidiano de tensões com as migrações da África e Oriente Médio, se avolumam com a questão da inflação, grãos ucranianos, défici fiscal e preços de combustiveis. Esta é uma guerra que comprova como a questão energética e de matérias primas continua sendo importante, os preços dos combustíveis, desencadeiam inflação e desequilibram governos na Europa. A UE vive momentos desafiantes, de terem que criar outra narrativa para justificarem suas crises internas e, as derrotas assinaladas pelas perdas de territórios pela Ucrania para a Rússia.
H – Que o território da Ucrânia, é o teatro de operações de testes, com horrores de destruição e mortes mas, que os resultados finais, sejam quais forem, são manejados com alternativas sempre lucrativas. Pois vejamos as alternativas: i. se derrotarem a Federação Russa, será apenas uma etapa na longa guerra permanente, que precisará de mais inovações tecnológicas e armas; ii. Se a Rússia derrotar a Ucrânia e ficar com territórios, a sua ameaça continuará existindo e…precisará de mais armas novas; iii. O que sobrar da Ucrânia, exigirá reconstrução e, nisto tb. se ganha muito, como já abordamos.
I – Existe a pavorosa opção, interesse para o capital financeiro, de que a guerra nunca acabe. Para isto, temos o exemplo das 2 Coréias, que convivem numa fronteira armada (cessar fogo), com a presença de quase 40 mil soldados dos EUA, desde 1953. e, as tensões no Oriente Médio com os a permanente e a novidade de Israel ter um governo genocida pelas suas ações naPalestina; Yemen, guerra civil Síria, Kurdos, Irã, etc.., todos consumindo armamentos. Veremos…
29. A constatação dos interesses para continuar as guerras, não deve nos desesperar. Se sabemos como matar com tecnologias, sabemos que toda esta nossa capacidade atesta sermos capazes de nos livrarmos dos parasitas da guerra e, direcionar nossa criatividade, para atender as necessidades de todos. Pois, na verdade, só podemos ter alegrias e realizações, construindo na paz, um mundo melhor e, que já está ao nosso alcance, como comprovado pela Costa Rica desde 1948 ao terminar sua última revolução. Don Pepe, José Figueres Ferrer, com a Constituição de 1949, em seu art. 12, elimina o exército do país, destinando todo seu orçamento para a saúde, educação e segurança. A Costa Rica, mais teve guerra civil ou envolveu-se em guerras. Como sabemos, seus níveis de educação são muito altos, sua esperança de vida ao nascer ultrapassa a de muitos países (como os EUA), etc… Se pode existir e funcionar um país sem exército, ainda temos esperanças.
F – PARA SABER MAIS:
Felizmente, já temos na língua da mamãe, para lerem e curtirem:
HILFERDING, Rudolf. O capital financeiro. S.Paulo: Nova Cultural, 1985, 348p.;
MAMPAEY, Luc & SERFATI, Claude. Os grupos armamentistas e os mercados financeiros: rumo a um compromisso “guerra sem limites”. in: CHESNAIS, François (org.). A finança mundializada: raízes sociais e políticas, configuração, conseqüências. São Paulo: Boitempo, 2005, 255p.;
COOK, Fred J. O Estado militarista. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1966, 330p.;
DANTAS, Gilson. Estados Unidos, militarismo e economia da destruição (belicismo norte-americano e crise do capitalismo contemporâneo). Rio de Janeiro: Ed. Achiamé, 2007, 112p.;
KEYNES, John Mynard. As conseqüências econômicas da paz. (Prefácio Marcelo de Paiva Abreu). Brasília: EdUNB, 2002 (clássicos do IPRE, v.3),209 p.;
KORYBKO, Andrew. Guerras Híbridas: das revoluções coloridas aos golpes. S.Paulo, Ed. Expressão Popular, 2019, 173 p.;
LOPES, Roberto. Rede de intrigas: os bastidores do fracasso da indústria bélica nacional. Rio de aneiro, Ed. Record. 1994, 360 p.;
STONE, Oliver & KUZNICK, Peter, A História não contada dos Estados Unidos. S.Paulo: Faro Editorial, 2015, 357p.;
KIERNAN, Victor Gordon. Estados Unidos (da colonização branca a hegemonia mundial). S.Paulo: Ed. Record, 2009, 486p.;
TOOZE, Adam. O preço da destruição (construção e ruína da economia alemã). Rio de Janeiro: Ed. Record, 2013, 705p.;
HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos (o breve Séc. XX: 1914-1991). S.Paulo: Cia. das Letras, 1995, 598 p.;
ROBERTS, Michael. A Reconstrução da Ucrânia (25/06/2023) em https//www.cadtm.org/spip.php?page=imprimer&id_article=21734 acesso em 26/01/24;
Para estatísticas bélicas atuais, Estocolmo reúne os melhores dados, sobre as guerras no planeta, consultem o site do SIPRI, onde está a série dos Yearbooks (Armaments, Disarmament and International Security) .

