CONTEÚDO: 1. Caracterizando as desigualdades; 2. As desigualdades e necessidades; 2.1. A contribuição da Maslow; 2.2. A contribuição da América Latina; 3. Margareth Tatcher e os neo-liberais motivam estudos e surgem novos indicadores; 4. O fato é que as desigualdades aumentam; 5. Sugestões para curtir e/ou ampliar. (mar/2022)

- CARACTERIZANDO DESIGUALDADES:
01. As diferenças humanas da aparência, das formas externas, minuciosamente medidas e classificadas, já abordamos no ensaio, DIFERENTES NA APARÊNCIA IGUAIS NA ESSÊNCIA deste site-blog.

02. No entanto, os estudos genéticos, comparando amostras das populações de todos os continentes, dão unânimes resultados todos os seres humanos são da mesma espécie. Então, qual a razão desta diferente aparência entre os grandes agrupamentos humanos? A resposta é obtida, com os avanços da biologia e da genética, ao estudar as adaptações de espécies (flora, fauna e dos humanos), aos diferentes climas da terra. Assim, como o isolamento dos grupos humanos, resultou em grande diversidade de línguas, o ocorrido com a aparência foi o mesmo.

03. As diferenças de aparência, idiomáticas, culturais entre as populações humanas, podem provocar sentimentos de curiosidade e mesmo, quando grupos diferentes se encontram. O medo do desconhecido pode ser manipulado para defender e/ou atacar, isto resulta em discriminações, tensões, e conflitos. O racismo e as discriminações, são usados para “justificar”, interesses manifestos ou ocultos, nas ações de exploração e controle social entre grupos desiguais.


04. Por outro lado, na curiosidade do desconhecido, temos o alicerce do intercâmbio, das amizades, amores, casamentos, da mestiçagem, da cooperação, da “indústria de turismo”, da evolução das línguas, sincretismos religiosos, aperfeiçoamentos da gastronomia, o multiculturalismo que enriquece à toda nossa espécie.
05. Neste ensaio, as diferenças fenotípicas, não estão vinculadas com as desigualdades sociais, embora as relações sociais de subordinação-exploração com o colonialismo, geraram o racismo e confundam, ao aproximar estas categorias de análise..
2. AS DESIGUALDADES E NECESSIDADES:
06. Somos conscientes, de nossas diferenças individuais em relação aos outros, dos nossos fenótipos, da morfologia de nossa individualidade e também, que vivemos em desigualdades sociais.
07. Quando nos referimos às desigualdades sociais, devemos nos ater ao resultado da comparação de diferenças entre grande grupos de pessoas, desde pequenos espaços (bairros, vilas), até maiores territórios (regiões, estados, países). A desigualdade, se impõem como perceptível na paisagem das moradias e assentamentos humanos, sendo captada pela abstração simbólica das estatísticas que registram o fato da sua existência. A desigualdade, para ser mensurada, classificada, não basta arrolar níveis, estratos de renda monetária, anos de escolaridade, propriedades de bens de consumo, etc… Descrever diferenças significa priorizar enfoques e, o ato de priorizar parte de uma concepção de sociedade. No entanto, toda descrição de desigualdade necessita partir de denominador comum da nossa espécie, para termos as bases da compreensão do que tratamos. Afinal, , se todos somos da mesma espécie biológica humana, as agrupações humanas só podem ser desiguais, na constatação das diferenças de possibilidades, oportunidades, de acessar o que atenda as suas necessidades humanas.
08. Devemos sempre começar pela aceitação do fato cotidiano das necessidades humanas, algo universal. Responder a isto, auxilia para termos uma perspectiva social do contexto que vivemos e da temática deste ensaio, vejamos alguns esforços:
2.1. A contribuição de Maslow:
09. Em 1943 Abraham Maslow, apresentou uma escala de necessidades humanas, em seu trabalho “Uma teoria sobre a motivação humana”. Sua explicação sobre as motivações das ações humanas, se ordenava numa hierarquia de necessidades, onde só a satisfação dos níveis inferiores, permitiriam a busca de alcance dos demais níveis.
10. Sua escala, em cinco níveis, iniciava com as necessidades fisiológicas (alimentação, respirar, descansar, dormir), as básicas para manter a vida; O nível seguinte seria a necessidade de segurança, se referindo a segurança corporal, física, relacionada com a proteção dada pela moradia; O terceiro nível, refere-se as necessidades sociais, das relações familiares, de amizade; O quarto nível a necessidade de estima, de auto-estima, de reconhecimento social, de ser respeitado; E o último nível da escala criada por Maslow é a de auto-realização ou seja, quando estando satisfeitas as necessidades das hierarquias anteriores, o indivíduo se sente realizado.

2.2. A contribuição da América Latina sobre as desigualdades:
11. Contribuindo com os estudos e a denúncia da realidade planetária sobre a fome, Josué de Castro, com a Geografia da Fome (1946), foi uma primeira contribuição de grande impacto, desnudando desde o Brasil uma realidade de vários continentes, a morte pela fome. Problema de base em qualquer estudo sobre desigualdades e, que ninguém ousa refutar. Ver neste blog, o ensaio A FOME…NÃO ACABA.

12. O importância, das necessidades humanas na discussão sobre o desenvolvimento, no período do surto “neo-liberal”, se fortaleceu com outra contribuição da América Latina em 1986. Naquele ano, Manfred MaxNeef, Antônio Elizalde e Martin Hopenhayn, com uma equipe interdisciplinar de dezenas de estudiosos, do Chile, Argentina, Brasil e Suécia, publicaram a sua sistematização sobre a problemática das desigualdades humanas no livro “Desarrollo a escala humana (una opción para el futuro)”. Aqui, ressaltamos que entendem a palavra desenvolvimento, quando o mesmo prioriza à melhoria qualitativa de vida dos seres humanos. Os autores são explícitos, o desenvolvimento se refere a pessoas e não a objetos, a mercadorias. O desenvolvimento se relaciona com um processo de passar de uma situação de vida para outra, de mudança para o melhor, atendendo a toda necessidades humanas. Não se ofuscaram com as simplificações e/ou mistificações da realidade, sob o ângulo “mercantil-fiscal” das quantidades de mercadorias produzidas, como as que mede o PIB.

13. O trabalho coordenado por Max-Neef, importa pela priorização nas necessidades humanas e uma precisa descrição das mesmas. Elas, são consideradas as balizadoras para o processo de desenvolvimento humano. Para nós, não restam dúvidas da influência do grupo da Fundação Bariloche (Argentina), onde Max-Neef esteve asilado depois do golpe contra Salvador Allende. O grupo de Bariloche, já utilizava a palavra satisfatores, em seus trabalhos, que ocorreram entre 1972-1975, atividades interrompidas pelo golpe militar da Junta Militar Argentina, numa demonstração que estudar desigualdades, não agrada aos conservadores.
14. As necessidades fundamentais, neste grande trabalho de grupo, foram classificadas e apresentadas de forma matricial, percebidas como facetas de uma totalidade, em que todas são importantes, pois descrevem, explicitam sobre o que somos, o que necessitamos, a complexidade de nossa espécie; vejamos sinteticamente, pois estes estudos não foram publicados no Brasil:
| NECESSIDADES FUNDAMENTAIS | SER (características) | TER ( meios, formas, os satisfatores) | FAZER (ações) | ESTAR (espaço) |
| SUBSISTÊNCIA | saúde física, mental | alimentação, abrigo, trabalho | alimentar, trabalhar, procriar, | entorno social |
| PROTEÇÃO | Cuidado, autonomia, adaptação, solidariedade | sistemas de segurança, de saúde, direito da família ao trabalho, | cooperar, prevenir, cuidar, curar, defender | moradia, entorno social |
| AFETO | respeito, generosidade, sentido de humor | amizades, casais, família, animais domésticos, plantas, contato com a natureza | compartir, cuidar, expressar emoções, fazer amor | ter espaços íntimos, lar, privacidade |
| ENTENDIMENTO | Curiosidade, receptividade, consciência crítica, disciplina, intuição | método, literatura, professores, políticas educacionais, culturais, comunicação | pesquisar, estudar, experimentação, medir, analisar, intepretar | família, comunidades, escolas, universidades, grupos de estudos |
| PARTICIPAÇÃO | Adaptabilidade, receptividade, solidaridade, disposição, respeito, senso de humor | Direitos, obrigações, responsabilidades, atribuições, trabalho | Associação, cooperar, propor, compartilhar, discordar, dialogar, acatar, opinar | Movimentos grupos de interação, ação e reinvidicação, associações, igrejas, comunidades, partidos, vizinhança, família |
| ÓCIO | Curiosidade, receptividade, solidariedade, convicção, entrega, respeito, humor, paixão | Jogos, espetáculos, esportes, festas, meditação, descanso | Divagar, abstrair-se, sonhar, divertir-se, jogar, relaxar | Privacidade, espaços de encontro, tempo livre, paisagens, natureza |
| CRIAÇÃO | Paixão, imaginação, intuição, audácia, inventividade, curiosidade | Habilidades, destreza, método, trabalho | Trabalhar, inventar, construir, testar, desenhar, compor | Ambientes de reprodução, retroalimentação, teste, Espaços de expressão, de liberdade |
| IDENTIDADE | Sentido de pertencer, de auto-estima, | Símbolos, linguagem, costumes, grupos de referência, sexualidade, religião, valores, memória histórica, trabalho | Integrar-se, comprometer-se, definir-se, reconhecer-se, atualizar-se, crescer | Entornos do cotidiano, sentido de pertencer a um território |
| LIBERDADE | Auto-estima, autonomia, audácia, rebeldia, tolerância, vontade | Igualdade de direitos | Optar, diferenciar-se, discordar, conhecer-se, arriscar, meditar, assumir | Flexibilidade espaço-temporal (em todos lugares) |
15. Todos temos necessidades fundamentais, básicas, elas estão simplificadas na coluna que caracteriza o ser. As mesmas existem em todas as culturas, com suas peculiaridades. O que muda, são as formas, os meios, como diz Max Neef os satisfatores das mesmas, pois ao longo da evolução humana, elas se modificam, se aperfeiçoam, ao mudarmos as formas de produção, as tecnologias, os relacionamentos, o acesso diferenciado para a atenção (satisfação) das necessidades. Se os indivíduos e famílias tem acesso aos satisfatores podem fazer, realizar ações no espaço-tempo, para atenderem as suas necessidades, se sentirem humanos.
16. Max-Neef e colaboradores, vão além, inovam criando a sua tipologia de satisfatores; Importante para auxiliar o leitor a entender este conceito, em suas relações com as necessidades e, com a problemática de desenvolvimento humano, afinal está foi a preocupação principal do esforço deste grupo. Vejamos como classificaram seus originais satisfatores:
| SATISFATORES: | CARACTERIZAÇÃO-DESCRIÇÃO: |
| SINGULARES | Os que se relacionam a com a satisfação de uma necessidade específica. Como a subsistência, com o satisfator “atenção primária à saúde”, “merenda esolar”,”programa de cesta básica”, “renda mínima”, “frentes de trabalho”,… emergencial; O direito ao voto (plebiscito, referendum, eleições) é um satisfator singular da necessidade de participação, etc… |
| SINÉRGICOS | São os que satisfazem a uma necessidade específica e contribuem para a resolução de outras. Os programas de “incentivo ao aleitamento materno” tem relação direta com a necessidade de subsistência e tem efeitos nas de proteção, afeto e identidade; Os programas de material e crédito para “auto-construção de moradias”, atendem a necessidade de subsistência diretamente e, tem sinergia com entendimento e participação. |
| INIBIDORES | São satisfatores que pela forma que atendem a uma necessidade, dificultam a possibilidade de atender a outra. Um modo de aula autoritária, é um satisfator inibidor da necessidade fundamental de entendimento, pois inibi as necessidades de participação, criação e liberdade; A necessidade de ócio, é inibida pelo satisfator TV comercial pois inibe o entendimento, a criação e a identidade. |
| PSEUDO-SATISFATORES | Aqui, são exemplificados os que dão uma falsa sensação de atenção de determinadas necessidades. Muitos são induzidos pela propaganda. Os satisfatores de remédios prometem proteção mas alguns podem ocasionar dependência; A necessidade de subsistência pode ser pseudo satisfeita pela super exploração da natureza; A necessidade de afeto, pela prostituição; As mudanças da moda, nunca poderão satisfazer a necessidade de identidade, etc..; |
| VIOLADORES | São satisfatores que ao manifestarem resolver uma necessidade, aniquilam a possibilidade de que isto ocorra e, impossibilitam a satisfação adequada de outras necessidades. Como o satisfator armamentismo, que pretende resolver a necessidade de proteção e impossibilida a subsistência, o afeto, a participação e a liberdade; A burocracia, ao pretender atender a necessidade de proteção, cria dificuldades para as necessidades entendimento, afeto, participação, criação, identidade e liberdade; |
17. O valioso, é que esta tipologia das necessidades humanas seus satisfatores, é também uma abordagem do que nos caracteriza, do que nos diferencia das outras espécies. No entanto, vivemos num mundo tão desigual que a categoria subsistência, como a fome de Josué de Castro, considerada básica para Maslow, segue sendo um grande diferenciador e uma prioridade permanente. No entanto, aceitar que simplesmente basta garantir comida, remédios e abrigo, para quem não tem, é reduzir todos as condições humanas à categoria de escravos do passado, é aceitar uma desigual e eterna desumanização. Os esforços de Max Neff e colegas, são um avanço pouco conhecido no Brasil por descrever as nossas essências e…criar uma tipologia de “satisfatores” que contribuem para sua aplicação operacional nas políticas públicas.
3. A MARGARETH TATCHER E OS NEO-LIBERAIS, MOTIVAM ESTUDOS E SURGEM NOVOS INDICADORES:
18. A ascenção dos neo-liberais na Inglaterra com a margareth, governou entre 1979-1990, se caracterizou pelo primeiro intencional desmonte do “Estado do Bem Estar”, das instituições públicas que mantinham o “estado providência”, fator relevante nos esforços de diminuição das desigualdades sociais. Este vigoroso desmonte, que aprofundou a crise inglesa deixando-a como está hoje, teve reações vigorosas, como o trabalho Teoria de las necesidades humanas de Len Doyal e Ian Gough. Uma minuciosa compilação, com comparativos de dados mundiais da OMS (Organização Mundial de Saúde) e outras agências, em defesa da manutenção de políticas públicas para todos os continentes, no início dos anos 90.
19. Quando surge o trabalho de Max Neff e colaboradores, a preocupação mundial sobre a desigualdades sociais, com os fracassos da descolonização e dos esforços dos “planos de desenvolvimento”, já eram claros. Afinal, se o PNUD (Programa das Nações Unidas), desenvolveu em 1990 o IDH e, com suas falhas e aperfeiçoamentos o vem usando, isto significa que as desigualdades, entraram fazem décadas no palco das preocupações, de forma “oficial”. No século atual, se multiplicam os estudos metodológicos, usos de registros estatísticos e publicações construindo diferentes tipos de indicadores. descritivos. Todos conhecemos a influência do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um indicador composto por 3 “sub-indicadores” sínteses representativas: esperança de vida (longevidade) + acesso ao conhecimento ( anos de estudo)+ renda (trabalho); O mesmo permitia, relacionar isto com o contexto sócio político, aferindo se os indivíduos tinham, mais ou menos, oportunidades para se realizarem. O IDH, em suas medições teve e continua tendo, importância pela capacidade sintética de revelar as mudanças temporais das desigualdades sociais nos espaços (nacionais, regionais) onde pode ser aplicado.
20. Recordamos, que o indicador PIB, baseado na produção e serviços mercantil aferido pela moeda, é uma força ideológica. Todos aceitam a simplificação da necessidade permanente de crescimento do PIB, sem saber a quem isto beneficia, a nacionais ou estrangeiros, a residentes no seu município ou em outros, etc… Sua característica de explicitar as quantidades produzidas sem explicitar quem e onde se apropria das mesmas, como decide ou não reinvestir, sem falarmos nos efeitos sociais e ambientais que podem resultar, não pode ser bem aferidor. O PIB não tem vínculo com o desenvolvimento humano, ele reflete apenas o que é, um medidor monetário de quantidade e fluxo de valores monetários das mercadorias, sendo isto, ele auxilia a ocultar a problemática política das desigualdades. O comparativo anual do PIB, em sua grandeza monetária e sua media per capita, sabemos que mais esconde do que descreve uma realidade, daí a persistente importância do seu “antagonista”, o IDH.
21. Estudos e propostas para zerar o PIB e/ou aceitar crescimento zero, ou mesmo negativo, são cada vez mais insistentes. As mesmos, se relacionam com a problemática da desigualdade social e dos efeitos ambientais, do modelo de crescimento consumista (ver LATOUCHE 2009 e outros) facilmente mensurado apenas pelo uso do PIB.
22. Vale recordar, a negativa de relacionar o PIB com desenvolvimento., ocorrida em 1972 no pequeno Butão, com o rei Jigme Singye Wangchuck. Sua concepção e metodologia de mensuração monetária, não se adequava aos valores da cultura budista, foi considerado simplório, não podia medir o essencial da vida humana (ver neste blog, o texto “Economia Budista”). O Butão criticou o PIB pois afirmava que a preocupação do governo, não deve estar no crescimento econômico e sim, no atendimento das necessidades materiais, espirituais e emocionais dos indivíduos, uma concepção holística importante de sua cultura (o que Max-Neef e equipe contempla) . Então, o Butão criou outra forma de medir e, desenvolveu o índice FIP (Felicidade Interna Bruta), adotando o uso do mesmo em suas políticas públicas. Para a “cultura” ocidental (leia-se sociedade de consumo) , a felicidade é assunto pessoal, individual, privado; No Butão é diferente, a felicidade é percebida e realizável pelo indivíduo, no ambiente social e natural próximo, na família, vizinhança, comunidade, em relação com a natureza. Isto resulta em outras percepções de acreditar e de ser.

23. O índice de felicidade FIP, para ser construído, demanda um esforço periódico de levantamento estatístico com muitas perguntas no Butão. Todas buscam captar, o que são as nove dimensões constitutivas do índice FIP, que aqui simplificadamente apresentamos:
| DIMENSÕES DO FIP | DESCRIÇÃO SUMÁRIA |
| PADRÃO DE VIDA | Avalia a renda individual e familiar, a segurança financeira, dívidas, qualidade das habitações. Caracterização um padrão de vida e identifica carências, a serem preenchidas pelas políticas públicas. |
| BEM ESTAR PSICOLÓGICO E ESPIRITUAL | Avalia o grau de satisfação, otimismo, ânimo dos entrevistados (emoções positivas e negativas), auto-realização, relações familiares, de amizade e vizinhança, etc.. |
| SAÚDE | Mensura a prevenção familiar e comunitária da saúde (a nutrição, o sono, os exercícios, os comportamentos de risco, o cultivo e uso de plantas medicinais), sem ter que recorrer aos serviços médicos; bem como a carência dos cidadãos no acesso aos serviços públicos de saúde e como são atendidos. Como as condições de saúde e formas de resolver seus problemas, afetam a felicidade? É a maior preocupação desta dimensão; |
| EDUCAÇÃO | Mensura a participação na educação formal e informal, para toda a população, o envolvimento da família na educação dos filhos, são importantes a educação ambiental e religiosa e a sua contribuição para a felicidade individual e da comunidade |
| VITALIDADE COMUNITÁRIA | O ser humano é um ser de relações sociais. A vitalidade comunitária é essencial para a felicidade. Examina os relacionamentos, os níveis de confiança os sentimentos de pertencer, a segurança na moradia, na vizinhança e comunidade, as doações o voluntariado, as diversas formas de participação em festas, festivais, datas, etc… |
| ACESSO À CULTURA | Indaga sobre a participação em eventos culturais, avalia as tradições locais, o desenvolvimento de capacidades artísticas,a diversidade cultural |
| MEIO AMBIENTE (Risiliência ecológica) | Examina a percepção individual e social no referente à qualidade do ar, da água, do solo, a situação da biodiversidade e suas mudanças, práticas de manejo de resíduos sólidos, etc… Examina a dinâmica das relações e práticas, do nível de consciência da natureza e sua relação com a felicidade. |
| USO EQUILIBRADO DO TEMPO | Considerado importante para a felicidade. Como o tempo é usado para o trabalho, para a família, para a socialização, para o lazer, para a criação e educação. O tempo é classificado como uma riqueza que possuímos, para termos felicidade na vida. |
| BOA GOVERNANÇA | Mede a visão da população sobre o governo, sobre a mídia, o sistema eleitoral, o judiciário, a segurança pública, considerando aspectos como honestidade, transparência e responsabilidade. Avalia o envolvimento dos cidadãos na politica. |
24. A metodologia desenvolvida pelo Butão, parte de seus valores culturais, reconhecendo a existência das suas desigualdades, para nelas intervir dentro suas capacidades. No entanto, busca aferir como as pessoas se relacionam com seus problemas, tendo como expectativa principal, não o crescimento econômico como meta mas, entender e contribuir, como promovem relações para a sua felicidade pois, sem isto, não consideram que estejam se desenvolvendo.
25. São diversos os indicadores que existem e outros vão surgindo. Os mesmos, são quantificações sintéticas que retratam diferentes interpretações das realidades sociais. Diversos são os indicadores, como o IDHM, IDESE, o Happy Planet Index (medição de felicidade, influenciado pelo originado no Butão) o GHI (Global Hunger Index) para acompanhar a fome no planeta, etc…

26. As desigualdades exigem recordar o Gini, não, não é o dono da pizzaria ali na praça, nos referimos ao matemático italiano Corrado Gini (um fã do Mussolini) que, em 1912, criou uma medida de concentração de rendimentos, que ganhou o seu nome, o coeficiente de Gini, usada para medir desigualdades. Seu princípio é simples, se toda a riqueza do mundo estiver nas mãos de uma pessoa, o mundo teria um coeficiente = a 1 (um); porém, se toda a riqueza do mundo estivesse dividida em partes iguais, entre todos os seus habitantes, o coeficiente seria = a 0 (zero). Portanto, é uma escala de zero até um, que é usada para medir, geralmente a renda pessoal. Sempre que falarmos de mensurar desigualdades, a escala de Gini rondando por perto para nos ajudar na verificação das relações sociais do trabalho, na renda que determina o acesso à mercadorias. Afinal, desde a nossa formação histórica baseada na escravidão, vivemos imersos nas desigualdades, tristemente, somos um dos países mais desiguais do mundo, sendo a escala do Gini sempre usada. O Brasil continua numa “normalidade desigual”, o que nos dificulta entender suas reais dimensões, seus horrores e sem isto, nos entendermos e construir uma sociedade melhor, mais humana.
27. Para exemplificar, recordo a publicação que sai anualmente pelo IBGE Sintese de Indicadores Sociais” que lanço mão da publicada ainda em 2020, onde se usaram dados do Banco Mundial para 163 países, que permite um bom comparativo. O Brasil está entre os países mais desiguais, somos o 156º nesta publicação, pior que nós, só Moçambique, Suazilândia, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe, Zâmbia, Suriname e Namíbia; portanto, estávamos como o + desigual de todos os países da América Latina, Europa e Ásia.
Para acompanhar a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE atualizados acesse o link abaixo;
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/genero/9221-sintese-de-indicadores-sociais.html
28. A melhor caracterização disto, temos no total de pessoas na pobreza. A mesma publicação do IBGE (“Síntese de Indicadores Sociais do Brasil 2020”), comenta os dados da realidade brasileira em 2019, ano que estimávamos em 210 milhões os brasileiros. Aqui ilustraremos dados de pobreza monetária em 2019, tendo como base o rendimento domiciliar dos levantamentos do IBGE. Os dados indicam a quantidade da população nacional em situação de vulnerabilidade, segundo diferentes indicadores monetários, são dados per capita com valores monetários de 2019 e, a quantidade de pessoas segundo a forma de medir a linha de pobreza. Esta classificação, em pobreza monetária, significa que o ganho em moeda local, não consegue suprir nem sequer as necessidades básicas. Vejamos a triste realidade, antes da pandemia:
| LINHAS POBREZA | REFERÊNCIA – USO | VALOR (R$) | BRASIL PESSOAS (QTDE.) |
| R$ 89,00 | Base do Bolsa Família | 89 | 8.506.000 |
| Salário Mínimo (1/4) | Linha de concessão do BPC/LOAS | 250 | 24.688.000 |
| 178 (R$) | Linha de elegibilidade para Bolsa Familia | 178 | 16.256.000 |
| US$3,20 PPC | Banco Mundial-pobres países de renda média-baixa | 253 | 25.455.000 |
| 50% mediana | Pobreza relativa usada pela OCDE | 431 | 51.053.000 |
| US$5,50 PPC | Banco Mundial- pobres países de renda média-alta | 436 | 51.742.000 |
| Salário mínimo (1/2) | Cadastro Único do Governo Federal | 499 | 61.065.000 |
29. A espetacular publicação anual do IBGE (SÍNTESE DE INDICADORES SOCIAIS), nos subsidia com muitas informações sobre as nossas desigualdades. (para atualizar-se veja link….). Vejamos nesta fonte, as “quantidades de pessoas por classe de rendimento domiciliar per capita, menos de US$ 1,90 e US$5,50“, com os rendimentos devidamente deflacionados, segundo características de sexo e cor (excluindo pensionistas) em 2019, para o Brasil:
| CARACTERÍSTICAS SELECIONADAS (sexo e cor): | PESSOAS COM MENOS DE US1,90 PPC =R$151,00 | PESSOAS COM MENOS DE US$5,50 PPC =R$436,00 |
| Homens brancos | 1.420.000 | 6.298.000 |
| Homens pretos ou pardos | 5.059.000 | 18.358.000 |
| Mulheres brancas | 1.635.000 | 6.870.000 |
| Mulheres pretas ou pardas | 5.450.000 | 19.714.000 |
30. A tabela anterior, é um clássico exemplo de que as diferenças da aparência (cor e sexo), acabam se refletindo na desigualdade social. Os negros e as mulheres são MUITO mais pobres, que os brancos ou homens no Brasil e em muitos outros países. Embora todos sejam humanos, as diferenças de fenótipos e gênero, se articulam com as desigualdades ou seja, alguns tipos humanos que no passado, foram explorados, continuam estereotipados no presente. Quando isto se constata nas estatísticas em tão grande número e, em nossa formação social é um fato, indica que nossa sociedade tem estruturas que alimentam e mantem racismos e machismos que tolhem nosso desenvolvimento. Usando a tipologia de Max Neff e seu grupo, as necessidades humanas não tem oportunidades iguais de serem atendidas, corrigidas, os fatores inibidores, violadores, falsos satisfatores, ainda não foram removidos. A seguir, usando dados do IPEA de 2009, temos uma ilustração da desigualdade:
31. Ainda em 2019, antes da pandemia, os levantamentos do IBGE indicavam que os 10% da população mais rica, possuia…43% da renda nacional e, que os 10% mais pobres… apenas 0,8%. Recentemente, em cruzamentos com os dados do fisco, ficou claro que os mais ricos podem chegar a ter mais, talvez 50% da renda nacional. Pois facilidades fiscais, de manipulação de declarações, de remessas para o exterior, recursos não declarados, sub-notificações, etc… tornam isto possível.

No entanto, recordemos alguns necessidades essenciais:
32. NUTRIÇÃO – Convivemos com contrários, pessoas que passam fome, desnutridas e, cada vez mais, pessoas com sobrepeso e obesas. Como sacias a tua fome, a tua necessidade de nutrientes para viver? O recém nascido amamenta no seio? ou de mistura láctea fabricada? Tens que assaltar para comprar comida? Roubando na prateleira do super? Pedindo esmola? Cozinhando o que plantaste e colheste? Comendo um sopão de doadores? Consumindo a cesta básica que ganhaste? Comendo um churrasquinho na calçada? Comendo ração balanceada para seres humanos, com gostos e nomes inovadores depois da academia de ginàstica? Um bandejão de restaurante popular? Indo a uma churrascaria comer uma picanha ou, se alimentando num restaurante vegano? Compartilhando a refeição com amigos ou a família? Curtindo um grande “Xis-tudo” com uma coca? Comendo acompanhado por um vinho caro? As respostas podem ser muitas, todas as que imagines, podem refletir as desiguais formas e possibilidades, de satisfazer uma necessidade vital, cotidiana, do nascimento até a morte, a nutrição diária para existirmos. No mundo, se estimam em 700 milhões de pessoas que passam fome, destas 144 milhões de crianças com atraso de crescimento, por falta de alimentação e vulneráveis à doenças ou morte. O Brasil que havia saído destas estatísticas mundiais (medidas pelo índice global de fome – GHI Global Hunter Index), retornou as mesmas. O IBGE estima que agora, já temos 10,3 milhões de pessoas sem acesso regular aos alimentos, ou seja, passando fome todos os dias.
33. ENERGIA ELÉTRICA (ver neste blog-site o ensaio-post ENERGIA O DESAFIO DAS MUDANÇAS): Se estima, que 10% da população mundial não tenham acesso à eletricidade, criando restrições para satisfazer necessidades importantes. As desigualdades de acesso à energia, diminuíram no Brasil pois as coberturas das redes se ampliaram, eram quase inexistentes nas áreas rurais. Agra, ocorre mais oferta mas, restrições de seu uso pelo preço da eletricidade. É um fato, a demanda mundial de energia, aumenta acima das taxas de crescimento da população. A eletricidade, é essencial para o suporte da vida humana. Seu uso pode ser criticado, quando desvirtuado como aquecimento ou, resfriamento de construções com grandes espaços ociosos, nos gastos de eletricidade em jogos e agora, o desvio “especulativo” para o bitcoin. Se estima que a mineração de bitcoin já consome mais de 138,5 Terawats-horas (TXh) anuais, segundo o CBECI (Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index), mais do que o gasto de eletricidade anual da Suécia, que é alto devido ao clima, recordamos que todo o Brasil, foi de 482 TWH em 2019. A eventual adoção desta forma de moeda, está provocando pressão na demanda energética que alimenta especulação fianceira, e isto é pouco comentado; o resultado é a volta da alternativa de energia nuclear, para suprir as demanda crescentes e a continuidade dos conflitos militares por energia; (aqui um caso clássico de satisfator violador para atender a uma necessidade).
34. MORADIA: A ONU-HABITAT, estima que 25% da população urbana do planeta, mais de 1 bilhão de pessoas, vivem em favelas. No Brasil, recente estudo da Fundação João Pinheiro, atualizou nossos dados, indicando um déficit de 5,8 milhões de moradias e também, mensurando que existem 3 milhões de casas desocupadas, devido ao alto valor que querem cobrar dos aluguéis e, o pior, é que 24,8 milhões, são consideradas “inadequadas” (problemas na cobertura, nas paredes, piso, sem banheiro interno, sem água encanada, …). A moradia, essencial para atender a necessidade de segurança individual e da família, para o descanso e sono vital, é um bem inacessível para muitos.
35. O leitor sabe que, a listagem é grande, acesso à água, desemprego, educação e treinamentos, etc..
4. O FATO É QUE AS DESIGUALDADES AUMENTAM
36. As necessidades humanas não são infinitas e, pouco diversas em suas essências. Só seriam infinitas se fossemos imortais. As quantidades diárias de água, alimento, a quantidade do consumo de vestuário, calçados, a necessidade de espaço para moradia, a quantidade de horas para descanso, ócio, sono, etc.., mesmo com diferenças etárias, de sexo, culturais e de renda, são finitas, são conhecidas e, podem ser estimadas com o conhecimento destas peculiaridades e da esperança de vida em cada cultura, portanto nunca serão infinitas e, tão pouco serão desconhecidas. Sabemos mensurar, de diversas formas, os mínimos necessários e até, as distorções do máximo que ocorram (consumismo), nunca poderão atingir o infinito, o inatingível. Elas não são subjetivas, não dependem de desejos, grande parte distorcidos pelo consumismo Só podem acreditar nisto, os ingênuos e, só pode afirmar que não podemos resolver esta problemática, quem tenha más intenções. Pois temos conhecimentos tecnológicos e capacidade produtiva, para diminuir as desigualdades
37. Existe, cada vez mais unanimidade, que as desigualdades sociais, são imorais, são inaceitáveis, isto está explícito em leis e Constituições. Até instituições antigas, tradicionais, como o Vaticano, recentemente se posicionaram contra as desigualdades, com a carta encíclica Fratelli Tutti (2020). Muitos são os estudiosos sobre a temática (E.F.Schumacher,Serge Latouche, Mariana Mazzucato), além dos já citados. No entanto, sugiro conhecerem Thomas Piketty, que tem se dedicado a estudar as desigualdades, com um enfoque não apenas econômico mas, também histórico, resultando em contribuições muito valiosas nestes tempos de crise.

38. O recente relatório da OXFAM As desigualdades matam”, denunciando a falha mundial dos governos em distribuir equitativamente as vacinas na pandemia, se concentrou em desmascarar a inesperada e imoral concentração de renda ocorrida neste período de tragédias coletivas. Nunca no mundo, em tão pouco tempo e com tamanha catástrofe epidemiológica, com tal rapidez de contágio e número de mortos, haviam se registrado tanta concentração de fortunas em poucas mãos. Esta, é uma leitura importante para todos. Aqui, ousamos usar alguns dados da mesma:




39. Afinal, como dizia Protágoras (485-411 a.C.), “O HOMEM É A MEDIDA DE TODAS AS COISAS”, no entanto na sociedade de consumo, nos enganamos quando a mensuração deixa de ser humana, sendo substituída por moedas; Se enganam os que valorizam as pessoas, pela sua capacidade de consumo de mercadorias, isto cria patologias individuais e sociais que se ampliam, levam a conflitos. As pessoas pensam que as mercadorias, a moeda são o que mede o valor do ser humano, e sem isto, não serão felizes.
40. Concordamos com a afirmação da OXFAM, realmente, as desigualdades matam. Mataram no passado e continuam matando, provocando destruições e desequilíbrios inimagináveis como os climáticos. Elas matam pois nenhuma politica reformista, as ingênuas neo filantropias, são paliativos que não conseguiram, reverter a imoral tendência de concentração de riqueza nas mãos de poucos e ampliação da miséria para muitos. A situação se mantém, com a necessidade de crescentes controles sociais como: uma mídia alienadora à serviço do lucro; assistencialismos de manutenção de uma sub-cidadania controlada; manuseio das representações políticas indiretas, “legitimando” a frágil democracia; crescentes ações policiais tentando sufocar os desesperados.
41. A atenção das necessidades humanas é essencial para ter vida, individual e social saudável. As formas que nos organizamos para dar atenção a isto, como construímos e desconstruiremos nossas desigualdades, é o desafio político inadiável de nossas vidas.
5. SUGESTÕES PARA CURTIR MAIS E/OU, AMPLIAR:
MONTEIRO, Sílvio Tavares. O essencial é o desenvolvimento humano. Cuiabá: COOTRADE, 2003, 118p.; PENA, Sérgio D. J. & BIRCHAL, Telma S. A inexistência biológica versus a existência social das raças humanas: Pode a ciência instruir o ethos social? S.Paulo, Revista da USP, nº68, dez/2005-fev/2006, 11 p.; ARRETCHE, Marta (org.). Trajetórias das Desigualdades. S.Paulo, Ed. Unesp; 2015, 490p. (a mais abrangente análise das desigualdades do Brasil, tendo como base os 6 Censos Populacionais entre 1960-2010 e a PNAD); MAX-NEEF, Manfred & ELIZALDE, Antônio & HOPENHAIN, Martin, et. ali. Desarrollo a escala humana (una opción para el futuro). Santiago de Chile-London, CEPAUR y Fundación Hag Hammask jöld, 1986, 95p.; HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções (1789-1848). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, 343p.; Idem. A Era dos Impérios (1874-1914).Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988,546p.; Idem. Era dos Extremos – o breve século XX (1914-1991).S.Paulo: Cia. das Letra, 1995,597p.; FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro. Ed. Paz e Terra, 1974, 117p.; JANUZZI, Paulo de Martino. Indicadores sociais no Brasil. S.Paulo: Ed. Allinea, 2001, 141p.; GRANADOS, José A. Tapia. Algunas críticas sobre el indice de desarrollo humano. Panamá OPAS Boletin Oficina Sanitária Panama 119, 1995, 13p.; FAO. 2020: El estado de la seguridad alimentária y la nutrición en el mundo (versión resumida). Roma, FAO, 2020, 44p.; IBGE. Síntese de Indicadores Sociais 2020. Rio de Janeiro, IBGE, 134p.; PNUD. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro. Brasília, PNUD-IPEA-FJP, 2013, 51p.; BARBOSA, Liane de Oliveira. Felicidade Interna Bruta – FIP: uma alternativa para medir o bem-estar da população Riograndina. Rio Grande, UFRGS -Curso de Ciências Econômicas, 2015, 61p.; FROELICH, José Marcos & SOPEÑA, Mauro Barcelos. Sobre a noção de desenvolvimento baseado na felicidade: considerações críticas. in: Sociologias, Pôrto Alegre, Ano 20, nº48, maio-ago 2011, p. 272-299; ARRUDA, Marcos. Vivendo o futuro no presente (notas de viagem ao Butão, Laos e Vietname). Rio de Janeiro: Instituto PACS, 2019, 51p.; MS. Situação alimentar e nutricional no Brasil (excesso de peso e obesidade da população adulta na atenção primária à saúde). Brasília, MS (Min. da Saúde), 2020,17p.; EPE. Anuário Estatístico de Energia Elétrica (ano base 2019). Rio de Janeiro: Min. de Minas e Energia EPE (empresa de Pesquisa de Energia), 15p.; MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac e Naify, 2003; PIKETTY, Thomas. Capital e Ideologia. Rio de Janeiro: Ed. Intrínsica, 2020, 1.052 p.; IPEA. Retrato das desigualdades de gênero e raça (quarta edição). Brasília:IPEA, 2011, 49p.; LATOUCHE, Serge. Pequeno Tratado do decrescimento sereno. SPaulo: WmfMartins Fontes. 2009, 154p.; DESIGUALDADE MATA (a incomparável ação necessária para combater a desigualdade sem precedentes decorrente da COVID-2019) Relatório. Reino Unido: OXFAM Internacional, 2002, 60 p.; GUERRA, Alexandre (et al.). Os donos do dinheiro: o rentismo no Brasil. S.Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2019, 219 p.; SEMPERE, Joaquim. Mejor con menos. Barcelona: Ed. Crítica, 2009, 268p.; FRANCISCO (Santo Padre). Fratelli Tutti – sobre la fraternidad y la amistad social. (carta encíclica). Roma, Vaticano, 2020, 114p.; DOYAL, Len & GOUGH, Ian. Teoria de las necesidades humanas. Barcelona: Icaria:FUHEM, 1994, 404p.; QUIROGA, Juan Martins & SMART, Angela & TOTONELLI, Laura Irene. Fundación Bariloche: Vigencia del Modelo Mundial Latinoamericano quatro décadas después. IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios sociales de la Ciência y la Tecnologia. Rio Negro (AR) 2015, 23p.; FONTENELLE, Isleide Arruda. Cultura de consumo. Rio de Janeiro, FGV, 2017, 220p.; BROWN, Clair. L´Economia del Budha (i suoi ensignamenti ci salveranno dalla crisi). Milano, Editoriale Mauro Spagnol, (vallardi). 2018,235p.; GRONDONA, Ana. Entre los limites y las alternativas de “otro desarrollo” el problema de las necesidades basicas. Buenos Aires, Revista Perspectiva de Politicas Públicas, vol.3, n. 6, (2014, 30p.;. ROWARTH, Kate. A economia donut: uma alternativa ao crescimento à qualquer custo. Rio de Janeiro, Ed. Zahar, 2019; SOUZA, Jessé. Brasil dos humilhados. Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 2022, 223p.; WALLERSTEIN, Immanuel. Capitalismo Histórico e Civilização capitalista. Rio de Janeiro: Ed. Contraponto, 2001, 144p.;

