
CONTEÚDO: A- Precisa definir? B – A guerra é uma ação violenta, destrutiva; C – A Guerra é alimentada pelas paixões; D – As Guerras, um grande mercado; E – Um pouco da gênese do lucro, impulsionador da guerra; F- Impossível desarmar a indústria armamentista? G – Os vencidos e os vencedores; H- Para saber mais.
A- PRECISA DEFINIR?
01.Não precisa definir, mas…é conveniente. Fica fácil perceber no título deste ensaio, que estou me inspirando no livro do Carl Von Clauzewitz (1870-1831), publicação póstuma de sua esposa, o famoso “Da Guerra“(Vom Kriege) . Este militar prussiano, que viveu os conflitos napoleônicos, concluía que a guerra era uma continuação da política por outros meios, de fato, um ato de força para obrigar o adversário a acatar a nossa vontade.
02. Lógico que o Carl não havia lido Sun Tzu, escrito na China fazem uns 2300 anos. Sun Tsu, escreveu a “Arte da Guerra”, estudado por Mao-Tsé e Ho-Chi-Min e, ignorado pelos exércitos imperiais dos brancos, até que as derrotas francesasno Vietname, o transformou em leitura obrigatória para os cadetes e, agora para a auto-ajuda . Uma delícia o livrinho, tem um capítulo precioso, com o “diplomático” título “Da Arte de vencer sem desembainhar a espada”.

03. No entanto, devemos lembrar o pouco lido, Nicolau Maquiavel (1469-1520). Além de escrever a sua “A Arte da Guerra” entre 1519-20, ficou mais famoso pelo objetivo opúsculo “O Príncipe”, publicado depois de morto, em 1532; Este autor ajuda a confirmar a afirmativa de Clauzewitz sobre a guerra como mais um meio de fazer política.
04. Considero estes, a tríade básica para um definição da guerra. Em torno da palavra, sempre existem adjetivações, guerra de desgaste, de fricção, relâmpago, guerrilhas, guerra híbrida, guerra civil, etc…, dependendo dos locais geográficos (espaços abertos, áreas urbanas), dos meios empregados (terrestres, navais, aéreos, cibernéticos), receberão denominações especiais. As nuances classificatórias, serão ditadas pelo desenrolar dos acontecimentos, sempre coincidindo com a definição do Carl. Uma ressalva necessária, Clausewitz estuda a guerra como um choque entre nações, no entanto para os mercadores da morte, isto não é importante, para eles as guerras são todos os tipos de conflitos que…possam vender armas e ter lucros. Portanto, consideramos a guerra como uma atividade política movida pelo mercado sob o disfarce de uma narrativa ideológica.
B – A GUERRA É UMA AÇÃO VIOLENTA, DESTRUTIVA:
05. As guerras, sob um ponto de vista humano, são sempre irracionais. Não existe “legalidade” nas guerras, embora os rituais, acordos, declarações, justificativas em conflito, etc… possam ocultar isto, alimentando justificativas grandiloqüentes, patrióticas, sobre “o bom e o mau”. Qualquer exame da listagem de guerras na internet, resulta na constatação de que vivemos em praticamente uma situação mundial de “guerra permanente”, onde temas com fontes controle de fontes de energias, pontos etratégicos e gastos armamentistas, são as razões primoridiais.
06. Em termos econômicos, a guerra é uma competição com riscos mas, um grande negócio. Desde que deixamos de lutar aos tapas e mordidas, aperfeiçoando porretes (tacapes) e os “longos espetos” (espadas e lanças), os conflitos foram se sofisticando, na sua prática de testar e construir ferramentas de melhor matar o adversário. As nossas capacidades, de ampliar os nossos sentidosm habilidades e força se ampliaram com novas ferramentas, tanto para produzir, viver e… matar. A mesma luneta usada para ver estrelas ou achar “terra à vista”, serve para localizar o inimigo; Criamos ferramentas que ampliaram a nossa visão com o uso de radares, de imagens de satélite, de aviões sem piloto, os drones, etc..; Exemplos não faltam, inicialmente ferramentas de produção na paz, se modificando para armas na guerra, até os dias atuais da especialização da pesquisa e da produção para… matar, o sistema industrial militar;
07. Existem diferenças entre as ferramentas, máquinas e treinamentos para a produção na paz, feitos para durarem, com as para a guerra, que serão expostas ao risco do conflito, da imediata destruição material e humana. E aí reside o grande negócio do alto risco e do alto lucro. Quanto mais balas a infantaria gastar…mais balas devem ser produzidas e, sem as balas, não existe o infante. A diferença entre um embate com espadas, é que as espadas podem resistir a vários duelos, por vários combates mas, as balas lançadas…não podem ser reutilizadas. É óbvio, que, quanto mais mísseis atirar, mais mísseis devem ser produzidos pois, sem os mesmos para que servem os aviões, os lança-mísseis?
08. Se vendes um avião comercial, o mesmo é para ser usado durante anos. Se vendes um caça, o mesmo poderá desaparecer em minutos, o mesmo com drones, tanques, porta-aviões, etc… Estamos falando de equipamentos, sem esquecer as infraestruturas (residências, pontes, usinas, hospitais, escolas, aeroportos, prédios industriais, etc…) e, o fenomenal consumo de matérias primas e de energia, com incalculável impacto ambiental. As guerras, tem seus custos estimados, principalmente por ocasião dos acordos de “paz”, quando o vencedor, cobra a conta do vencido. Esta conta, em números monetários, perdas de territórios, etc.., ($ – lembrem o Acordo de Versalhes 1919), são valores aproximados; Na verdade, as vítimas as destruições físicas os ignorados efeitos no meio ambiente, nunca podem ser comparados com os valores de moedas ou, perdas de territórios. Resulta que o número de vítimas (militares e civis), as mortes e mutilações (físicas e mentais) humanas, tem aproximações sempre relativizadas pelas partes, pois na verdade, nenhuma quantidade de moeda, conseguirá recuperar as vidas, nem recompor os mutilados ou recuperar o meio ambiente. Agora, as guerras que nossa espécie faz, destrói coisas físicas, afeta a natureza, mata e mutila, direta e indiretamente, os seres humanos nela envolvidos, numa escala inimaginável nos tempos de Sun Tzu, Maquiavel e Clauzewitz.

09. Fazem alguns anos, compilei uma comparação de perdas humanas e custos da I Guerra Mundial (1914-1919) e da II GM (1939-1945) para me aproximar do impacto destes períodos bélicos (Monteiro: 2003), sentia a necessidade de alguns parâmetros para a melhor compreensão do que poderia ter sido feito, com o que se estima que “custou” estes conflitos. Recordo que nos valores monetários (US$) destes antigos cálculos, o poder aquisitivo da moeda gringa era mais alto. Mas, sempre vale para comparar, exemplifiquemos:

10. Lembrando, que é mais comum os indicativos de baixas militares e civis, com seus desacordos entre os conflitantes sobre os números reais, do que os custos de armamentos e a destruição. Os custos de armamentos, sempre ultrapassam os dos orçamentos publicados, entram nas “contas públicas secretas”, nos esforços institucionais (doações) e familiares, etc..; e, os custos pós guerra, das reconstruções infraestruturas, arcados pelas famílias e instituições privadas e públicas, nem são lembrados mas pesam durante anos, gerações. Porém, basta ver o Iraque, Afeganistão, fotografias de Tóquio depois de bombardeios com bombas incendiárias, sem falar de Berlim, Varsóvia, Dresden, Leningrado, Stalingrado, Tóquio, Hiroshima e Nagasaki, e, mais recentemente, o Iraque, Irã, Síria, Afeganistão, ex-Iuguslávia, o Vietname, e agora, a faixa de Gaza…,para se ter uma idéia da destruição.
11. Não pecisamos mostrar, o nada que restou das genocidas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, veja Tóquio destruída por bombas incendiárias e, se quisermos comparar com Gaza:




C- A GUERRA É ALIMENTADA PELAS PAIXÕES:
12. A contribuição do Clauzewitz é convincente. Pois afinal a política, são as atividades que contemplam as relações entre as classes, suas frações e grupos de interesses, resultando em alianças, negociações e/ou conflitos; sua essência, consiste em ter, o poder estatal e, assim possuindo legitimidade, para impor sua hegemonia no espaço nacional e, nas relações internacionais.
13. Portanto, para haver uma guerra, tem que estar controlando o Estado, um grupo que tenha interesse na mesma, que veja oportunidade de ganho nesta ação violenta ou, que se sinta ameaçado em seu “status quo”.
14. A “construção do ódio” é um pré-requisito essencial para a ação política de forma bélica. Se não existe uma “justificativa”, uma narrativa que separe o “nós”, que devemos ter certeza de sermos justos e certos, do maldoso, inferior, bárbaro “eles”; Sem isto, não se consegue materializar uma ameaça, ter consenso social e legitimidade, para criar intolerâncias e desenvolver homicídios em massa, as “baixas” do inimigo. As guerras, quando iniciadas, geralmente são obscurecidas pelo reforço de narrativas que acentuam o ódio, por isto se diz que a primeira vítima da guerra, é a verdade. O restabelecimento das reais razões causadoras da mesma, muitas vezes levam anos de pesquisas para ocorrerem, pois as razões na narrativa do vencedor, são perduráveis, impostas aos vencidos.
15. Se matar é pecado nas culturas e religiões, sendo um crime punível na paz, na guerra, matar o inimigo é uma obrigação social, é um ato heróico, até bendito pelos deuses (guerras santificadas não é invenção de muçulmanos, o Papa inicia isto com as cruzadas). Porém, os soldados são, um necessário instrumento operacional neste episódio econômico-político. Os mesmos tem que ser controlados, por esta razão a rígida hierarquia e a disciplina, tem que ser elogiada, treinada, automatizada, para ser garantido o seu uso direcional ao inimigo e, ao alcance do objetivo anunciado, que esconde o essencial. As massas de soldados tem que ser adequadamente conduzidas, alimentadas pelo ódio unidirecional ao inimigo, quando isto não ocorre a ação política da guerra, pode tomar rumos inesperados (deserções, revoltas, perdas, etc…). A necessidade de aplacar dúvidas, de criar coragem para atos destrutivos, mortais, faz com que nas guerras o tabaco, o álcool e as drogas sejam usadas, como bem demonstram vários trabalhos, como o de OHLER (2017), sobre a metanfetamina na Alemanha nazista. O problema da realidade do desgaste do fator humano na guerra, tanto no combatente quando em suas famílias e comunidades, é que exige uma mobilização permanente da mídia enaltecendo o “nós, os bons”, contra os “eles, os ruins”. Por outro lado e cada vez mais, a busca de alternativas “automatizadas”, drones, robots, que diminuam riscos para “nós” e aumentem perdas para “eles” e, por serem máquinas, não possam ter dúvidas existenciais. Desta forma, a ameaça dos pilotos suicidas japoneses, os kamikazes, agora se materializa em escala muito maior, com os drones.
16. Nas guerras, as imparcialidades diminuem. As emoções afloram, as paixões se manifestam, elas distorcem raciocínios, justificam atos, consolidam decisões e julgamentos. Os envolvidos nas guerras, as qualificam, adjetivando como justas, santas, corretas, defensivas, sujas, traiçoeiras, etc.., segundo o lado, a facção em que estejam ou o momento que a estejam vivendo. Ninguém parece imune às guerras, consciente ou inconscientemente, todos optam ou tendem por uma dos conflitantes e, o “seu lado” é.., o acertado.
17. Os conflitos armados, despertam paixões e só estas, é que podem explicar o ato de sofrer, resistir, se arriscar a ser morto e, matar sem piedade. Todo conflito humano, ao gerar paixões, gera mitos, simbologias. Um exemplo, é a cruz nas caravelas portuguesas. A expansão mercantil se legitimava com a “cristandade”, algo que havia se iniciado nas cruzadas contra os mouros e, sob este símbolo, ataques, saques, na África, na América e na Ásia, garantiram o início da expansão européia.
18. Vencer uma guerra não significa que a mesma seja justificável, com resultados cantados como benéficos. O vencedor afinal, é quem soube melhor usar seus meios para o alcance do fim. Não queremos afirmar que todas as guerras são totalmente injustas. Mas sim, que a maioria das guerras atuais, são injustas. Recordamos que, na nossa formação nacional, podemos classificar como justas, as nossas guerras internas, como as Guaraníticas? do Quilombo do Palmares? ou, as platinas e a Guerra do Paraguay?. Convido o leitor, a exercitar seu julgamento, comparando com outros confrontos bélicos.
D – AS GUERRAS, UM GRANDE MERCADO:
19. Lembremos, que os tempos das fábricas estatais de armas, como os arsenais do rei, ou da República, parecem ficar no passado. Veja agora os problemas para se manter a IMBEL, com muitos policiais “globalizados” querendo importar pistolinhas?? Recordamos, que depois da crise de 1929, tanto na Alemanha Hitlerista, assim como as salvadoras compras governamentais de Roosevelt, se abasteceram de armas nas empresas privadas. A velha Krupp é o exemplo que todos conhecem; mas devemos lembrar, que a Ford americana também produzia para a Alemanha de Hitler. Afinal o cabo Adolfo gostou muito do livro do Henry Ford (“O Judeu Internacional: o primeiro problema do mundo” de 1920) e assimilou suas ideias, citando-as no seu “Mein Kempf”; trágico, é que executou as mesmas, matando milhões de judeus. As opiniões racistas do velho Henry, não prejudicaram os seus negócios dos dois lados do Atlântico, até que Roosevelt proibe as vendas de armas para a Alemanha.

20. Pela política, se tem o poder legítimo de controle do Estado e sua essência, o orçamento. Isto é necessário para manter pessoal treinado e com dedicação exclusiva (as forças armadas) comprar armas e seus complementos para matar (roupas, botas, medicamentos e psicotrópicos, entretenimento para as tropas, cigarros, etc…) e, as ferramentas necessárias (baionetas, fuzis, metralhadoras, canhões, transporte, tanques, artilharia, aviões, navios, drones,.), hoje, essencialmente com fornecedores privados. Fica para o Estado, convocar, manter, treinar e dar pensão para os soldados e famílias. Quem mais ganha nas guerras, não é quem luta, embora se identifique e alardeie um lado “vencedor”, mas quem realmente ganha, são as empresas fornecedoras de armas e equipamentos e, o capital financeiro que empresta ao Estado ou empresas, dando “suporte” às mesmas ou seja, todos os cidadãos, os vivos e até as futuras gerações.
21. Lógico, que sempre existirá profunda diferença entre ter uma indústria e um arsenal estatal e/ou depender de empresa privada; Assim como, comprar armas e equipamentos feitos na própria nação ou em outra. As diferenças são óbvias, no tocante ao grau de autonomia e de dependência que numa guerra, pode ser vital. Sempre é “desagradável” artilharia sem munição, tanques e aviões sem peças de reposição, etc.., os resultados podem ser vitais quando faltam. Afinal conseguir fabricar caças, é diferente que comprar no exterior, assim como comprar Gripens num país “neutro” (Suécia), é diferente do que comprar dos EUA ou da Rússia. Pois a compra de armas resulta em dependência do fornecedor, o que pode ser decisivo.
22. Agora sabemos que as compras governamentais de armas e equipamentos, salvaram a economia de mercado na crise de 1929. A ascensão de Hitler (1933), acabou com a sangria da dívida alemão aos vencedores da I GM do Tratado de Versalhes; pode realizar seu compromisso de recuperação da economia nacional, incluindo a expansão do exército, compras de armas, etc… foi uma poderosa ação Keynesiana de retomada econômica, bem documentada por Adam J. Tooze (2013). Nos EUA, o New Deal de F.D. Roosevelt, efetivamente retoma as taxas de crescimento anteriores à crise de 1929, só depois do acelerado rearmamento em 1941 (Lei de Empréstimos e Arrendamentos, implantação do serviço militar obrigatório em tempo de paz, etc..). Uma economia de “pleno emprego” se instalou, a demanda de mão de obra na indústria bélica dos EUA para ajudar a Inglaterra em guerra, inova até incorporando as mulheres, nos serviços e na produção industrial bélica. Toda literatura concorda, que as “compras governamentais” com o armamentismo, nestes dois países, como em outras economias de mercado, ampliaram a dinâmica econômica.

23. Não restam dúvidas que, quem mais contribuiu para a vitória na II Guerra Mundial, foi a URSS mas, em termos financeiros, foi os EUA, especialmente, o seu complexo industrial militar, foi o grande vitorioso. Enquanto que os demais envolvidos sofreram destruições terríveis e mortes, os EUA teve seu território poupado e suas indústrias expandidas. O Gen. Dwight D. Eisenhower, que comandou o ataque aliado à Europa na II Guerra Mundial, ao passar a presidência para Kennedy em 1961, discursou denunciando a peculiar economia-política dos EUA, alertando para sua distorção e perigo. Aqui, pinçamos algumas linhas da longa citação do livro “O Estado Militarista” de Freed J. Cook (1966) ao transcrever o discurso de Eisenhower: “Até o fim dos nossos conflitos mundiais, os Estados Unidos não possuíam indústrias de armamentos. Os fabricantes americanos de relhas de arado podiam, com o tempo, e conforme fosse necessário, fazer também espadas…. Fomos obrigados a criar uma indústria armamentista de proporções muito vastas… Esta conjunção de um imenso estabelecimento militar e de uma vasta indústria de armas é nova na experiência americana…Apesar disto não deixamos de compreender a suas graves implicações.… Nos conselhos do governo, temos que nos defender contra a aquisição da influência injustificada, solicitada ou não, do complexo industrial-militar. O potencial para o crescimento desastroso do poder mal colocado já existe entre nós e tenderá a persistir”.
E – UM POUCO DA GÊNESE DO LUCRO, IMPULSIONADOR DA GUERRA:
24. O que o Presidente Eisenhover afirmou em 1961, é que a economia de guerra, que salvou os EUA da longa depressão, continuava existindo, não havia se reconvertido para a produção de bens e produtos não-bélicos, o complexo industrial-militar continuava ativo, sobrecarregando o orçamento. O que ele chamava de complexo industrial militar, havia se transformado numa poderosa faceta da economia norte-americana, de suas indústrias, de sua pesquisas, da geração de empregos, etc… Se o fim da II Guerra Mundial, significou a desmobilização de centenas de milhares de soldados, a produção da indústria bélica em grande escala, não tinha mais sentido. Mas, a ameaça do desemprego, da diminuição do crescimento econômico provocado pelas grandes compras governamentais, era real e, mais real eram os interesses dos fabricantes em continuar ganhando, para isto…se precisava de novas ameaças… justificando a Guerra Fria e… mais necessários contratos de armamentos;
25. A guerra fria, alimenta a corrida armamentista, a criação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 1949, são os sinais de que o instrumento “Keynesiano” das compras governamentais não podiam ser desarmados. Porém, será a Guerra da Coréia (1950-53), que permitirá ao “complexo industrial militar”, efetivamente se salvar da ameaça de reconversão industrial para os tempos de paz, mantendo sua fonte de lucro nas compras governamentais.
26. As guerras tanto da descolonização, mescladas com os conflitos “localizados” da guerra fria, continuam na África, Ásia e Oriente Próximo, tendo como “arsenal mundial” principal, as indústrias dos EUA, pois os demais países, se recuperavam dos efeitos da II GM mas, logo que foi possível, entraram na lucrativa atividade além da URSS, que se transformou na nova “ameaça permanente”;
27. Uma recordação incompleta, comprova a manutenção permanente da necessidade de fabricar armas e vender, vejamos: i. 1ª Guerra Indo-paquistanesa (1947-48); ii. Guerra da Coréia (1950-53); iii. Guerra da Argélia (1954-1962); iv. Guerra do Vietnã (1955-1975); v. Guerra da Independência da Eritréia (1961-1975); vi. Guerras coloniais portuguesas (1961-1975), independência de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau); vii. 2ª Guerra Indo-paquistanesa (1965); viii. Guerra da Independência da Namíbia (1966-1988); ix. Israel e seu entorno: 1947-48 (independencia);Guerra dos Seis Dias (1966); Guerra do Yom Kipur (1973); Guerrra de Gaza (2023..); x. Guerra do Camboja (1967-1975); xi. 3ª Guerras Indo-Paquistanesa: 1947-48; 1961; 1971; 1999; (1971); ; xii. Guerra cambojana-vietnamita (1977-1991); xiii. Guerra Afegã-Soviética (1979-1989); xiv. Guerra Irãn-Iraque (1980-1988); xv. Guerra das Malvinas (1982); xvi. Guerra de Naborno-Karabakh (1988-1994); xvii. Guerra do Golfo (1990-1991); xviii. Guerra da Bósnia (1992-1995); xix. 1ª Guerra do Congo (1996-1997; xx. Guerra do Kosovo (1996-1999); xxi. 2ª Guerra do Congo (1998-2003); xxii; Guerra da Chechênia (1999-2000); xxiii. Guerra do Afeganistão (2001-2021); xxiv. Guerra do Iraque (2003-2011); xxv. Início Guerra Civil na Síria; xxvi. Israel invade o Líbano (2011); xxvii. Guerra no Donbass iniciada em 2014 (Donetz, Lugansk) reativada em grande escala em 2022, entre a Russia e Ucrânia, em andamento; xxviii. Hamas ataca Israel em 3/10/2023, chamada guerra de Gaza ainda se expandindo com genocídio palestino;
28. Além de guerras civis intermináveis, como na Colômbia, os curdos na Turquia e fronteiras com Síria, a guerra civil da Síria, Tunísia, na África (Etiópia, Sudão)devem ser lembradas;
29. Assim, a alternativa de manter o “complexo industrial-militar” não é discutida, é o normal. Vejamos os principais países produtores e…compradores de armamentos com dados recentes do SIPRI:


30. O comércio de armas, de compras militar, como dos EUA, países Europeus e da OTAN, se desde o Land Lease de Roosevelt (11/03/1941) evoluiu pra ser um “compartimento especial” da economia mundial. E, se isto manteve, por serem atividades muito lucrativas, um certo “anonimato mandito pelo capital financeiro que se alimentam da guerra, daí o nome de mercadores da morte.
31. Podemos comparar dados, tomados da fonte do SIPRI (Year Book 2021 e 2024 , estima que o gasto militar em 2020 foi de 1,981 bilhões de US$ ou seja 2,6% do PIB mundial e crescendo sempre nos últimos seis anos:

32. Acima, temos os produtores e, os grandes compradores. Nos “compradores” de armas, os países com relacionados com recursos energéticas ou rotas estratégicas, são relevantes. Recordamos que a retaliação da OPEP aos países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kipur, resultou no boicote mundial pela diminuição da venda de petróleo e aumento de preço. Desde este momento, a atenção fica redobrada sobre os países produtores de petróleo. A política para os mesmos, é ter governos vendedores confiáveis que ficam atrelados à compras de equipamentos militares fabricados pelos grandes compradores. Lembremos que o Brasil, um produtor periférico de armas, viveu o auge de sua indústria bélica, na guerra do Iran-Iraque (1980-88); recebíamos petróleo de Sadam e, enviávamos armas, este período várias de nossas empresas começaram a entrar no mercado de armas no Oriente, América Latina e África. (ENGESA, IMBEL, BERNARDINI, EMBRAER), ver os artigos de FARES (2007), PREISS (2010) e MENEN (2019), e o conhecido livro de LOPES (1994). Ter acesso garantido à petróleo barato, de origens estáveis e não hostis, explica o constante estado bélico e muitas das guerras anteriormente citadas. Uma nação com recursos estratégicos e que tente ações soberanas, que entrem em choque com os interesses de ganho internacionais, é passível de retaliações comerciais e bélicas. Uma leitura superficial dos conflitos depois de 1930, demonstra a sua forte relação com o tema energia e, o leitor com facilidade identificará isto.
F- IMPOSSÍVEL DESARMAR A INDÚSTRIA ARMAMENTISTA?
33. A “Guerra Fria”, foi uma justificativa para o armamentismo. Para se resguardar da OTAN que é de 1949, em 1955, a antiga URSS cria o Pacto de Varsóvia, logo em 1961 se instala o muro de Berlim. A sofisticação da corrida armamentista, será balizada pela demonstração dos efeitos genocidas em Hiroshima e Nagasaki que, darão, a pauta dos desafios técnicos para o domínio da destruição nuclear.
34. Os EUA deram a nova largada armamentista, não só desenvolvendo a bomba nuclear e testando em 1945 como aplicando sem necessidade, em duas cidades no Japão. Isto criou a superioridade militar do monopólio atômico, que não foi aceito pela URSS; ela detona a sua primeira bomba em 1949; a fiel Inglaterra adapta e desenvolve tecnologia para ter sua bomba em 1952; A França de De Gaulle, desgastada pelas derrotas nas Guerras coloniais (Argélia e Indochina) e desmoralizada na crise de Suez, em 1960 adquire autonomia nuclear e, até se retira da OTAN entre 1966-2009; A República Popular da China, afirma autonomia bélica nuclear em 1964; Secretamente Israel por 1973 já possuía capacidade de ataque nuclear. A Índia, para reforçar sua soberania, em 1974; E o Paquistão, sob proibições permanentes, consegue em 1990 dominar a tecnologia da morte massiva, restrições que lembram as atuais sobre o Irã e, por último, a Coréia do Norte em 2006 detona seu primeiro artefato nuclear.
35. Hoje, os dados são impressionantes, tanto pelo número, quanto pela sofisticação demandada para 34. Os EUA deram a largada, não só desenvolvendo a bomba nuclear e testando em 1945como aplicando sem necessidade, em duas cidades no Japão. Isto criou a superioridade militar do monopólio atômico, que não foi aceito pela URSS; ela detona a sua primeira bomba em 1949; a fiel Inglaterra adapta e desenvolve tecnologia para ter sua bomba em 1952; A França de De Gaulle, desgastada pelas derrotas nas Guerras coloniais (Argélia e Indochina) e desmoralizada na crise de Suez, em 1960 adquire autonomia nuclear e, até a se retira da OTAN entre 1966-2009; A República Popular da China, em 1964; Secretamente Israel por 1973 já possuía capacidade de ataque nuclear. A Índia, para reforçar sua capacidade em 1974; E o Paquistão, sob proibições permanentes, consegue em 1990 dominar a tecnologia da morte, restrições que lembram as atuais sobre o Irã e, por último, a Coréia do Norte em 2006 detona seu primeiro artefato nuclear. tantos artefatos apocalípticos nos rodeando, vejamos:


36. Recordamos que, a OMS (Org. Mundial de Saúde), reconheceu como pandemia o COVID 19, em 11/03/2020 e deu encerrada esta tragédia em 05/05/2023, resultando na melhor estimativa, em 7.074.000 pessoas mortas por seu efeito direto. Enquanto isto, o SIPRI prosseguia com suas estatísticas mundiais sobre “Armamentos, desarmamentos e segurança internacional”, nos seus yearbooks, vejamos pequenos trechos: 1. SIPRI YEARBOOK 2021 resumen (p.12): “Se estima que o gasto militar mundial foi de 1,981 billones de dólares. El gasto total fue 2,6% maior que en 2019 y un 9,3% mayor que en 2012. … el impacto del covid-19, varios paises (Angola, Brasil, Corea del Sur, Chile, Kuwait, Russia) han reducido o desviado o gasto militar para hacer frente a pandemia. … La carga militar en la mayoria de los estados aumentó en 2020”; 2. SIPRI YEARBOOK 2022, RESUMEN, (p. 10): “El gasto militar mundial aumentó por séptimo año consecutivo en 2021, hasta los 2,113 billones de dólares. Represento el 2,2% del PIB mundial, el equivalente a 268 dólares por persona. El gasto mundial fue un 0,7% que en 2020 y un 12% mayor que 2012;… esta trayectoria ascendente se mantuvo apesar de las flutuacciones inducidas por la pandemia de covid-19”; 3. SIPRI YEARBOOK 2023 resumen (p. 8): “El gasto militar aumentó por octavo año consecutivo en 2022 hasta la cifra estimada de 2,24 billones de dólares….Los gobiernos de todos el mundo destinaran una media de 6,2% de sus presupuestos (orçamento) al ejército, o 282 dólares por persona”; 4. SIPRI, YEARBOOK 2024 resumen (p.8): “El gasto militar estimado aumentó por noveno año consecutivo en 2023, hasta superar los 2,4 billones dolares, impulsionado por la guerra entre Rusia y Ucrania. … El aumento del 6,8% del gasto militar total en 2023 fue el mayor desde 2009 y elevo el gasto militar al nivel más alto registrado por el SIPRI…. Los gobiernos destinaron una média del 6,9% de sus presupuestos para el ejército (360 dólares por persona). O próximo yearbook, deverá dar gastos anuais maiores, estamos numa comprovada escalada armamentista.
37. O “complexo militar-industrial citado por Eisenhower em 1961, não foi impedido de crescer e de dominar a economia dos EUA e mesmo mundial. Se o muro de Berlim caiu em 1989 e com ele o Pacto de Varsóvia e depois à URSS, esperando-se que o desarmamento seria efetuado. No entanto, o que chamo das “guerras energéticas”, pelo controle das áreas produtoras de petróleo e matérias primas importantes, alimentaram a fogueira. A OTAN, totalmente fora do pactuado, se envolve no processo de destruição da Iuguslávia e, o tsnunami armamentista se desata, com os atentados de 11 de setembro às torres Gêmeas em Nova Iorque.
38.. Agora o setor bélico passa a ter uma nova e poderosa justificativa, a ameaça do terrorismo, que substituiu o fantasma do comunismo soviético. Assim como os salões de “beleza” são o palco da guerra à feiúra, garantindo lucros para a indústria de cosméticos, o ataque de 11 de novembro gerou novas possibilidades de lucros para os acionistas doo capital financeiro-industrial dos negócios da “defesa”. Um inimigo concreto visto por todos, ameaça em todas partes, dentro e além fronteiras, deve ser destruído. Não se cogita nenhuma preocupação de entender, como conceituar o que é o terrível, qual a causa que cria o fanatismo de ataques desesperados. Para os EUA e para o mundo ocidental, temos uma inflexão, os orçamentos para a defesa-segurança, em face a esta pavorosa ameaça planetária, se ampliam velozmente. E o reflexo disto é claro nos mercados financeiros, como cita com maestria DANTAS (2007), p. 48: “Assim que a bolsa de Nova Iorque abriu no dia 17 de setembro, uma semana depois dos atentados das Torres Gêmeas, os investidores compraram 19,8 milhões em ações da Raytheon, fabricante de mísseis Tomahawk. Isto significou uma forte injeção de recursos, pois o movimento no dia anterior ao atentado foi de 14 vezes menor (1,4 milhão). No primeiro dia do ataque ao Afeganistão, também em setembro, foram disparados 200 mísseis tomahawk. Como cada um vale 1 milhão de dólares, os governos da coalizão vão gastar pelos menos 200 milhões para repor o estoque. Os investidores entenderam a mensagem e, no dia seguinte colocaram 5 milhões em ações da Raytheon“.
39. O parágrafo anterior, fala de uma empresa, suas ações na bolsa e… uma guerra que durou…20 anos até a vergonhosa derrota e retirada das tropas dos EUA. Os “terroristas”, foram buscados em todas partes, resultando numa concentração geográfica remota, o Afeganistão, que foi invadido, com mortes e destruições. Ali, como em outras partes, os “terroristas” ganharam das forças “superiores em tecnologia” dos EUA e aliados e, as mesmas crenças se mantiveram; No entanto os lucros para os acionistas da indústria armamentista foram altos, buscando novas narrativas e guerras mas, assim como em outros locais (Líbia, Iraque, etc..), o Afeganistão palco de décadas de lutas, devastado, tem que arcar com as dores e custos de sua própria reconstrução, não existe acordo de paz, nem compensações pelos danos. Mesmo os EUA perdendo militarmente, quem lucrou foram os seus mercadores da morte
40. Uma indústria bélica produz um tipo especial de mercadoria. Armas para serem destruída e com garantia de serem repostas de imediato, para possibilitarem a vitória, isto é financiada pelo orçamento público (por todos) assim o contratante, os grandes consórcios, tem risco ínfimo de perdas, se souberem prolongar o conflito, buscar novos ou diversificarem atividades nas reconstruções dos danos. Os estudos indicam (ver Dantas e Serfati) que dá mais lucro comprar ações de empresas de armamentos do que de outras. Os conglomerados gigantes, como a Lockeed Martin, Raytheon, Boeing, Northrop Grumman, General Dinamics, e a constelação de empresas associadas, fabricam de tudo (aviões de qualquer tamanho e propósito, drones, mísseis, satélites, tanques, aviões, submarinos nucleares, etc…). Suas articulações com as Universidades, indústrias não-bélicas, com a NASA, a quantidade de pessoas que empregam, fazem das mesmas parte essencial do sistema econômico. Se elas fecharem, diminuem o ritmo da economia; ninguém pensa em mudar, o discurso de Eisenhower de 1961, que foi profético, os EUA está controlado pela indústria da morte e, contamina todo o mundo. (Ver as conclusões de Wood, 2014, Stone, 2015, Dantas, 2007, Mampaey & Serfati 2005, etc..).
41. Para o mundo “globalizado”, coberto pelos satélites e pela mídia, só existe guerra se a mesma for acompanhada pela mídia. Muitas guerras, estão ocorrendo e…são “inexistentes”, pois não são noticiadas, mas reais para quem nelas vive e e sofrem os seusesultados. Vejam como estamos por estes dias, segundo o Pagina12 de Buenos Aires, hoje 13/03/22:

G – OS VENCIDOS E OS VENCEDORES:
42. Se a guerra é uma continuação violenta da política e, se as decisões políticas de usar as armas estão fora do controle de uma lógica humanística, estão na verdade com os que buscam lucro, a constatação ,é que as guerras continuarão, se prolongando onde estão, se deslocando para outras geografias e, assumindo feições mais violentas pois, o sistema econômico central, não pode funcionar sem o sistema financeiro-militar.
43. As armas, o complexo financeiro-militar (pesquisa-produção-vendas-mídia) e sua dependência do orçamento dos estados e a falência da ONU, impedem a mudança da rota armamentista. A existência da aliança financeira-militar com o orçamento, por exemplo nos EUA, tem efeito multiplicador de empregos e de giros em outros setores da economia e… dar lucros privados, competindo e diminuindo os gastos públicos em saúde, infraestrutura, educação e, gerando dívidas públicas com a sua rolagem. Quem paga? Todos os que pagam impostos, os que compram armas e, mais ainda, os vencidos. De fato, a História demonstra, que os reais vencedores, são os mercadores da morte.
44. Recordo o chefe celta Breno, depois de derrotar os romanos (398 a.C). Os Senadores, negociavam ouro em troca de não terem Roma saqueada, Reclamavam da balança que pesava o acordo. Breno joga sua espada de ferro no pratoda balança do seu lado, aumentando a diferença e diz, a frase Vae victis (ai dos vencidos). Quem perde, não pode impor condições. Na corrida armamentista atual, todos perdemos, os gastos destrutivos do armamentismo oneram vencedores e vencidos, lógico que de forma mais dramática e triste, para os vencidos.
44. O conquistador que ataca não vence totalmente, a menos que o perdedor se considere derrotado. Todos sabem disto, para firmar uma paz a aceitação da derrota é essencial. Isto explica a continuidade da luta no Afeganistão, os Kurdos, os conflitos balcânicos, Eritréia, a vitória no Vietname, as mudanças no Irã, no Iemen, etc… Pois afinal a paz, é a aceitação de novos compromissos impostos ao derrotados. Os vencidos, podem ser escravizados, despojados, expulsos, assimilados na “nova ordem”, imposta. Se na antiguidade os perdedores se transformavam em escravos dos vencedores, ou ficavam pagando parte de sua renda, agora isto ocorre, ainda sob formas brutais e, com transferências de recursos fiscais para pagar empréstimos, compensações de guerras e perdas territoriais.

45. Em caso de ocupação, a desigualdade entre vencidos e vencedores, não pode ser escondida mas, com mais ou menos tempo ela se impõe com efetiva assimilação ao longo de gerações. Se estás lendo em português, deve-se as vitórias romanas que…eliminaram ou assimilaram outras línguas. Os vencidos podem desaparecer, serem assimilados ou, aceitarem viver subjugados. Os “vencidos”, podem resistir, se negarem a “serem como os vencedores”, reafirmarem sua cultura, reconstruirem suas narrativas e continuar vivendo sem guerras, se ganhar ou perder.
H – PARA SABER MAIS: Uma rápida busca na internet, sobre: relação de conflitos; guerras no mundo; intervenções dos EUA; intervenções na África; intervenções na América Latina, resultará em abundância de informações; Recomendo o site do Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI – vale consultar, pelo menos os resumens en español dos Year Book entre 2012- 2024 (armaments, disarmaments and international security) Barcelona FundPou, 2024, 24p, ; Os dados e fontes são muitos, para este ensaio uso o que está ao meu alcance: MONTEIRO, Sílvio Tavares. O essencial é o desenvolvimento humano. Cuiabá, COOTRADE, 2003, 108p; CLAUZEWITZ, Carl von. Da Guerra. S.Paulo: Martins Fontes, 2014, 1040p.; Uma leitura fascinante : KEYNES, J John Maynard. As conseqüências econômicas da paz. Brasília: Ed. UnB, 2002, 209 p.; MACMILLAN, Margareth. Paz em Paris 1919. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2004, 639p.; ( a “paz” que trata Keynes e Margareth é sobre o tratado de Versalhes); TOOZE, Adam. O preço da destruição (construção e ruína da economia alemã). Rio de Janeiro, Ed. Record, 2013, 880 p.; O genial livro de Keynes, é leitura obrigatória para compreender o que Tooze descreve no seu minucioso trabalho, sobre os detalhes da economia alemão no governo do cabo Adolfo; OHLER, Norman. Hisghe Hitler: como o uso das drogas pelo Führer e pelos nazistas ditou o ritmo do Terceiro Reich. S.Paulo: Ed.. Planeta, 2017, 340p.; TZU, Sun. A arte da guerra. Pôrto Alegre, L&PM, 2000, 152 p.; COOK, Fred J. O Estado militarista. Rio de Janeiro. Ed. civilização Brasileira, 1966, 342 p. (o clássico que inicia com o discurso do Eisenhower passando o governo dos EUA para o Kennedy e alertando sobre a dominação do “complexo industrial militar” nos EUA); KIERNAN, Victor G. Estados Unidos: o novo imperialismo 1913-2009. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2009, 489p. (muito documentado, complementa e amplia o livro de Cook); DANTAS, Gilson. Estados Unidos, militarismo e economia da destruição (belicismo Norte-Americano e crise do capitalismo contemporâneo). Rio de Janeiro, Achaimé Editor, 2007,111p.; CHESNAIS, François (org.) A finança mundializada. São Paulo: Boitempo,2005, 255 p. (em especial o artigo: Os grupos armamentistas e os mercados financeiros rumo a um compromisso “GUERRA SEM LIMITES, de MAMPAEY, Luc e SERFATI, Claude); LIMONCIC, Flávio. Os inventores do New Deal (Estado e sindicatos no combate à grande depressão). Rio de Janeiro: Ed. Civ. Brasileira, 2009,287p.; KIERNAN, Victor G. Estados Unidos (o novo imperialismo). Rio de Janeiro: Ed. Record. 2009, 487p.; HOBSBAWM, Eric. Era os extremos (o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras,1995,598p.; MADRIDEJOS, Mateo. Colonialismo e neocolonialismo. Rio de Janeiro: Ed. Salvat, 1979, 144p.; STONE, Oliver & KUZNICK, Peter. A História não contada dos Estados Unidos. S.Paulo: Faro Editorial, 2015, 356p.; WOOD, Ellen Meiksins. O Império do capital. São Paulo:Boitempo, 2014, 151p. (boa atualização da peculiar economia imperial dos EUA, recomendo o capítulo final: “imperialismo excedente”, guerra sem fim, enriquece o enfoque de Serfati que, partiu dos estudos da relação do capital financeiro com a indústria armamentista na França para, com Mampaey detalhar a íntima relação do capitalismo financeiro com a “demanda de guerra constante”, etc..; DANTAS, Gilson. Estados Unidos, militarismo e economia da destruição (belicismo Norte-Americano e crise do capitalismo contemporâneo). Rio de Janeiro: Ed. Achiamé, 2007, 112p.; FARES, Seme Taleb. O pragmatismo do petróleo: as relações entre o Brasil e o Iraque. Revista Brasileira de Política Internacional, vol. 50, nº2, pp. 129-145, 2007; MENEN, Issan Rabih. O petróleo e o material bélico nas relações Brasil-Iraque (1970-1989). 2019, Revista de Geopolítica, v.10, nº 2, pp.48-60; PREISS, José Luiz Silva. A presença de produtos da indústria bélica do Brasil e da Argentina, na guerra Irã-Iraque (1980-1988); Un. Federal da Paraíba, 2015, RICRI, Vol. 2, nº4, pp.1-18.; FARES, Seme Taleb. O pragmatismo do petróleo: as relações entre o Brasil e Iraque. Revista Brasileira de Política Internacional. V. 50, nº2, pp.127-145, 2007; LOPES, Roberto Rede de Intrigas: os bastidores do fracasso da indústria bélica do Brasil. Rio de Janeiro, Record,1994, 360p.; MAGNOLI, Demétrio (org.). História da Paz. S.Paulo: Ed. Contexto, 2012, 374p.; TIMOTHY, Ryback. A Biblioteca privada de Hilter (os livros que moldaram a sua vida). Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 2008; SOARES, Jurandir. Iuguslávia (guerra civil e desintegração). P. Alegre: Ed. Novo Século, 1999, 110p.; BRENER, Jayme. Tragédia na Iuguslávia (guerra e nacionalismo no Leste europeu). S.Paulo: Ed. Atual, 1983,116p.; SEGRILLO, Ângelo. O declínio da URSS (um estudo de causas). Rio de Janeiro: Ed. Record. 2000,366p. KORYBKO, Andrew. Guerras híbridas (das revoluções coloridas aos golpes). S.Paulo, Expressão Popular, 2018, 172p.;

