ENERGIA: A DEMANDA PERMANENTE

CONTEÚDO: 1. Energia e suas FORMAS: 1.1. Potencial ou gravitacional; 1.2. Térmica; 1.3. Química; 1.4 Eletromagnética ou radiante; 1.5 Elétrica; 2. As FONTES DE ENERGIA: 2.1 Classificação das fontes; 2.2. A matriz energética e elétrica; 3. INQUIETAÇÕES; 4. Para continuar.

01. Sem a energia não existe vida, ela é essencial para todas as espécies. A nossa maior fonte de energia é o sol. Todos os dias o sol aquece a terra, gera os ventos, provoca evaporação das águas dos mares, rios e lagos, formando as nuvens e as chuvas. O sol, com a fotossíntese, faz crescer as algas e plantas, que dão sustento aos animais e a complexa cadeia alimentar, da qual fazemos parte.

02. A energia, é a capacidade existente nos  corpos  de produzirem algum tipo  de mudança, ação ou efeito em outros corpos  ou, em si mesmos. Estas mudanças podem ser, o movimento, o aquecimento ou alterações do seu estado original.  A energia ocorre em todas as modificações que  existem no universo, ela é que faz a vida possível, ela aquece, ilumina, deforma, move e transporta as diferentes formas de organização da matéria. Duas são as formas de transferência de energia, pelo trabalho e pelo calor.  O trabalho,   é a forma de aplicar uma força sobre um corpo para a obtenção de movimento.   O calor,  transfere energia pelo  mudança da temperatura , sendo a produzida pelo Sol, a mais poderosa e importante, essencial para vida.

Mas, para diminuir minhas e, talvez dúvidas do leitor, rapidamente recordemos:

1. A ENERGIA E SUAS FORMAS

03. São diversas  as formas de manifestações da energia.  A nossa espécie se caracteriza pela capacidade de avançar no domínio e aplicação de suas diferentes formas, para atender as nossas necessidades.

1.1 Potencial ou gravitacional:

04. Se trata da energia que possui um corpo devido à sua posição no espaço, altura que esteja,  se relacione com a força da gravidade.    A energia do movimento  produzida pelos sólidos e líquidos quando se deslocam em pendentes, é um exemplo.  Os sólidos, líquidos e gases, em movimento possuem energia cinética.  Os movimentos dos ventos, das águas de rios e de corpos sólidos quando descem uma pendente, etc.., são alguns exemplos

Um bom exemplo desse tipo de energia são as antigas e ainda atuais rodas d’água .

1.2 Energia térmica:

05. A ampliação de temperatura de um corpo ao acelerar a vibração de  suas partículas gera  energia. A energia se propaga de um corpo mais quente  para o outro, sob a forma de calor.  O aquecimento da panela para seu conteúdo, por exemplo.

1.3 Energia química:

06. A constituição das relações químicas que mantem a unidade entre átomos e moléculas, de cada corpo, a sua composição material, contém energia. Quando ocorre a reação com outros produtos, a energia é liberada resultando nas alterações químicas que geram outra(s) compostos.  A queima numa fogueira, a digestão de alimentos, a utilização das pilhas e baterias, são exemplos.

1.4 Energia eletromagnética ou radiante:

07. O exemplo mais conhecido, é a que convivemos e dependemos todos os dias, é a luminosa proveniente do sol. A energia eletromagnética, ou radiante, é a que se propaga sem necessidade de suporte, são as luzes, ondas de rádio, raios X, microondas, infravermelho, ultravioleta, etc…).

1.5. Energia elétrica:

08. É a energia resultante das cargas elétricas em movimento.   A mesma surge de um processo de transformação, de conversão das outras formas de energia (cinética, térmica, solar).  A eletricidade, pela sua facilidade de transporte, baixo índice de perdas durante as conversões, é a maior modalidade   de energia que usamos. 

09. O que você está lendo neste momento, depende da geração e fornecimento seguro de eletricidade. Cada vez mais nosso  cotidiano, usa a energia elétrica. Em nossas residências, escolas, trabalho, transporte, saúde, comunicações, transações comerciais e financeiras, cultura, esportes, lazer, sistema eleitoral, tudo depende da eletricidade.

2. AS FONTES DE ENERGIA:

10. A nossa demanda de energia é crescente.  Como no planeta a energia está em toda a parte, o desafio permanente da humanidade, é conhecer suas melhores origens (fontes) e, desenvolver as formas (tecnologias) para uso da mesma. Concordamos que, uma fonte de energia é todo material, fenômeno natural, peculiaridade topográfica a partir do qual se possa obter energia útil para aproveitamento humano.

2.1. A classificação das fontes de energia:

11. Considerando uma perspectiva de  regeneração podemos classificar as fontes de energia para nosso uso como:

A- Renováveis – com capacidade de se renovar a um ritmo maior ou igual ao que usamos para nosso consumo (solar, eólica, hidroelétrica, biomassa, geotérmica, oceânica);

B – Não Renováveis– se consomem a um ritmo maior do que são produzidas ou geradas e, se esgotam no uso de suas fontes não renováveis (petróleo, carvão, gás e nuclear);

12. Se usarmos uma classificação de impacto ambiental podemos classificar as fontes de energia como:

A – Energias Limpas – mais relacionadas com as renováveis;

B – Energias contaminantes – as relacionadas com o agravamento da poluição (saúde) e do efeito estufa, como também as não renováveis;

2.2. A matriz energética  e elétrica:

13. Desde a pré-história, com o revolucionário o domínio do fogo, o uso da energia da biomassa (lenha) nas fogueiras, fogões, fornos e lareiras, essenciais para a alimentação e aquecimento, assim como a iluminação, reforçaram e permitiram evoluir as nossas relações sociais; A queima da biomassa nos encanta, tanto a doméstica como em nossas festividades. Nos últimos 3 séculos, a importância do carvão mineral, que foi floresta, como fonte energética permitiu o início da revolução industrial, revolucionando nossas vidas.

14. A matriz energética é um representativo da quantidade das diferentes formas de energia que sabemos usar, dentro da mesma se inclui a especificidade da matriz elétrica. Vejamos um comparativo, em percentuais da matriz energética mundial com a brasileira, em 2022, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética):

FONTES DE ENERGIAMUNDIAL
em %
BRASIL
em %
Petróleo30,235,1
Carvão Mineral27,64,4
Gás natural23,19,6
Biomassa8,817,4
Hidráulica2,512,1
Nuclear4,71,2
Outros (solar, eólica)3,14,4
Lenha e carvão vegetal8,6
Derivados de cana-de-açucar (etanol,..)16,8

15. Na matriz energética mundial, como vimos, as fontes não renováveis são as predominantes (carvão, petróleo, gás natural, nuclear) atingindo a 85,6% do total. O uso de lenha e carvão vegetal, em termos mundiais está incluído na biomassa. No Brasil, o petróleo, gaz, carvão e nuclear, atingem a 50,3%, muito menos que no mundo.

Fonte: http://www.ibp.org.br

16. A energia nuclear, que cresceu depois da II Guerra Mundial, continua com atrativos pelo baixo efeito estufa e, em comparação com as outras térmicas, seu alto rendimento e funcionamento ininterrupto, firme. Afinal, um 1kg de urânio natural, pode produzir 50 mil KWh, e 1 m3 de gáz apenas 6 KWh. enquanto que 1 kg de carvão mineral resulta em 3 KWh. Atualmente, se estima em 450 usinas nucleares em funcionamento em 30 países e, mais umas 50 em construção e mais em projetos, como também no Brasil. Os trágicos acidentes das usinas de Three Mile Island em 1979 na Pensilvânia (EUA), de Chernobil na Ucrânia em 1986 e, o mais recente no Japão em Fukushima em 2011, provocado por um Tsunami, serviram para aperfeiçoar as técnicas de segurança operacional. Estas usinas continuam gerando resíduos radioativos tóxicos e cancerígenos, com efeitos para as futuras gerações mas, não produzem efeitos estufas na atmosfera.

Complexo nuclear Angra 1 e 2. Foto(Divulgação) site: http://www.eixos.com.br

17. No Brasil, a importância da energia hidráulica e, mais recentemente da biomassa produzindo etanol( como os derivados da cana), bem como o reaproveitamento de dejetos de usinas (a lixívia), caracteriza a oferta energética de fontes não renováveis. A matriz energética mundial tem forte perfil de origens fontes não renováveis, o que não ocorre aqui. Nossas hidroelétricas, aproveitando a nossa rica rede hidrográfica, como o São Francisco, Paraná, Tocantins, Uruguai, o Tietê, o Iguaçu, o Teles Pires, o Madeira, para citar os maiores, deram suporte ao processo de acelerada urbanização das últimas décadas.

Usina hidroelétrica de Itaipu Binacional.

18. As diferentes fontes de energia se transformam em energia elétrica. Esta é a forma “universal” de uso da energia, pela sua alta versatilidade. fornece as bases de sustentação da vida humana e sua reprodução. A seguir, com dados de 2023 do Anuário Estatístico de Energia Elétrica (EPE). temos os percentuais, em 2023 no Brasil por origem de energia gerada: As hidroelétricas, com 60,2%, as termoelétricas, com 21,4%, as solares com 11,8, as eólicas com 11,5 e as duas nucleares (Angra I e II), com 1%.

19. A geração de energia elétrica no Brasil difere da mundial. Consumimos eletricidade de fontes diversas, mais limpas no referente aos efeitos estufa e, mais renováveis. Considerando a quase inexistência no passado, do uso das alternativas eólicas e solar, o avanço das mesmas é significativo, ocorrendo para as fotovoltaicas, uma ampliação acelerada desta fonte,,, óbvia, atingindo a 12,7% do total. A geração de energia se diversifica. Na eletricidade, o grande predomínio brasileiro da origem hidráulica, se complementa com a eólica e, o crescimento do nosso potencial equatorial-tropical de uso da solar.

20. O consumo de eletricidade no Brasil, tem se mantido positivo, como podemos ver com dados do Anuário estatístico de Energia elétrica, comparando 2022-2023, por classe:

Fonte: EPE 2024.

21. O consumo per capita de energia elétrica, em 2022, por região é diferenciado, vejamos: No Norte foi de 1.983 kWh/hab; no Nordeste, foi de 1.516; no Sudeste foi de 2.739, no Sul de 3.084 e no Centro-Oeste de 2.385 kWh por pessoa.

22.Ter acesso à energia elétrica segura é essencial para todos. Isto é mais uma vez comprovado, pela compra da Usina de Thre Mile Island pela Microsoft, para colocar o reator nuclear que restou do desastre, em funcionamento e, ter energia própria, segura para seus centros de dados de IA. Nossa dependência da eletricidade, com fornecimento permanente, torna as nucleares novamente atrativas pois até as grandes hidroelétricas, com o câmbio climático estão ameaçadas. Mas, ter acesso a rede de distribuição, não garante o acesso ilimitado, mesmo com oferta segura, também depende da capacidade para pagar as tarifas; dificuldade que no Brasil, se busca amenizar com a TSEE (Tarifa Social sobre Energia Elétrica), para amenizar o preço a tarifa para a população de baixa renda.

3. INQUIETAÇÕES:

23.No entanto, é certo que a geopolítica mundial desde o século XIX, esta cada vez mais determinada pela luta pelo controle de regiões, com reservas de fontes de energia, apropriação de fontes geradoras e redes distribuidoras, etc… As guerras e conflitos, tem sido pautadas por este tema, muitas vezes oculto mas, um real mobilizador de desacordos e tensões, como vemos nos fatos deste século.

24. Nossas vidas, está profundamente ligada aos combustíveis fósseis e, o fato de existirem ainda reservas a serem usadas, os mantém no centro de tensões geopolíticas e conflitos bélicos. Assim como o controle das alternativas de fontes energéticas substitutivas. O fato de que depois das aceleradas mudanças provocadas pelo petróleo, nos últimos 170 anos, esta fonte começa a terminar e conhecemos seus efeitos indesejados. Portanto em poucos tempo, esgotamos recursos gerados pela fotossíntese que ocorreu à uns 300 milhões de anos gerando os combustíveis fósseis (carvão, petróleo), que deram suporte a mudanças revolucionárias na forma de ocupação do espaço terrestre, estilo e modo de vida. Todas as tecnologias nos transportes, na indústria e da revolução verde (fertilizantes), foram baseadas no uso destes recursos fósseis não renováveis. Agora, temos que mudar, gerar novas alternativas pois o uso da mesma gera efeitos, agora planetários ameaçadores.

25. Afinal, as formas de energia que utilizamos, são as multiplicadoras do nosso trabalho, são uma síntese de nossas capacidades em desenvolver tecnologias, para nos apropriarmos e transformar a natureza para a atenção de nossas necessidades, inicialmente as essenciais e também, as supérfluas, geradas pela nossa cultura consumista.

Neste processo, alguns são mais beneficiados e outros menos. No entanto, a nossa alta dependência dos recursos fósseis, está resultando em efeitos prejudiciais, que ameaçam a existência de muitos.

26. O desafio, não é apenas de mudar para outras fontes primárias de energia, é também a mudança em nossos estilos de vida. A energia, como transformadora e multiplicadora de novas formas de matéria, quando baseada no petróleo, nos aprisionou numa nova realidade. Do petróleo, não obtemos apenas o combustível para o transporte e para as termoelétricas produzirem eletricidade. Do petróleo se derivam alimentos (corantes, conservantes, fertilizantes), chiclete, inseticidas, remédios, cosméticos, asfalto nos milhões de quilômetros de ruas e rodovias, materiais de limpeza, tintas, encanamentos, borrachas, pneus, utensílios, tecidos, flores e gramados, os plásticos estão por toda parte, contaminam o ar e os aceânos.

27. Na verdade, somos uma espécie dependente da eletricidade e vivemos em cidades… de plástico. Eles estão também nas mais inóspitas regiões, onde estiver um grupo humano, mesmo que sejam nômades no Sahel, Amazônia, Lapônia, Groenlândia, etc.., algum objeto plástico estará presente O Plástico é revolucionário, moldável e barato (para as contabilidades que não mensuram o impacto ecológico), ultrapassando o uso da cerâmica e do vidro. Hoje, quase tudo existente e imaginável, pode ser feito com os polímeros e, se agregarmos uma impressora 3D, as possibilidades parecem infinitas. No entanto, a sua resistência aos fungos e bactérias, faz com que sua degradação, seja leeenta, levando décadas para ocorrer, provocando efeitos negativos em nossas vidas, nas outras espécies e, no nosso futuro.

28. Mas nossas necessidades, quando percebidas como problemas pela consciência social, impulsam a construção de novos conhecimentos e ações que impulsionam as mudanças. Continuaremos vivendo num planeta de objetos plásticos, no entanto, que os mesmos sejam usados racionalmente e feitos de biopolímeros, degradáveis e não de derivados de petróleo, é uma necessidade que começa a ser percebida.

29. A versatilidade e portabilidade da energia elétrica é necessária para nossas vidas e, sua demanda será crescente. As fontes de energia para a sua geração, devem ser renováveis pois as fósseis, se acabam. Junto com esta mudança na matriz energética, temos o desafio de usar novas fontes de matérias primas para substituir os derivados do petróleo, que agora produzem os objetos essenciais no nosso cotidiano.

30. Nunca esteve tão atual o pensamento de J.W. Bautista Vidal, identificando na energia solar, captada pela fotossíntese e armazenada nos vegetais, a fonte de energia limpa e renovável, capaz de atender a todas nossas necessidades, a importância da biomassa e, o uso da maior fonte, a da nossa estrela, o Sol, divinizada por Akhenaton (1.375-1358 aC) no antigo Egito, ao afirmar sua importância para toda a vida terrestre.

31. Vivemos o desafio da mudança de uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis, predatória, degenerativa, para outras com princípios regenerativos. As indagações são muitas, tais como: 1º Esta mudança atenderá as necessidades de todos ou, beneficiará apenas a alguns? 2º Continuará o belicismo movido por grandes quantidades de energia, destrutivo, lutando pelo acesso de fontes energéticas? 3º Estamos atrasados na criação de uma pauta de discussões globais e humanistas, para uso associativo das fontes energéticas e da água potável?

PARA CONTINUAR e, gerar novas perguntas: Sobre dados nacionais de energia, ver: EPE -Empresa de Pesquisa Energética http://www.epe.gob.br (fonte de algumas tabelas); Sobre dados internacionais de energia: datos.enerdata.net; Artigo alvissareiro encontram na revista pesquisa.fapesp.br/fotossintese-artifical/; VIDAL, J.W. Bautista. Soberania e dignidade: raízes da sobrevivência. Petrópolis, Ed. vozes, 1991, 213p.; VASCONCELOS, Gilberto Felisberto & VIDAL, J.W. Bautista. O poder dos Trópicos: Meditação sobre a alienação energética na cultura brasileira. Sâo Paulo, Casa Amarela, 1998, 303p.; CARVALHO, Joaquim Francisco de. Combustíveis fósseis e insustentabilidade. S.Paulo, in: revista Ciência e Cultura, vol 60, nº3, 2008; ROCHA, Gisele et. al Química sem fronteiras: o desafio da energia. São Paulo, in: revista Química nova, vol 36, nº10, 2013; ALIER, Joan Martinez. Da economia ecológica ao ecologismo popular. Blumenau, Ed. da FURB, 1998, 402p.; DIAS, Genebaldo Freire. Pegada ecológica e sustentabilidade humana. S.Paulo, Ed. Gaia, 2002, 263p.; EPE. Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2024 (ano base 2023). Rio de Janeiro, MME-EPE (Empresa de Pesquisa Energética), 2024, ( síntese em 6p.);

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