CONTEÚDO: A – A terra nossa casa; B – Nosso planeta em transformação tem sua história geológica; C – A natureza e a vida; D – Homo sapiens; E – Quais nossos limites na natureza; F- O nosso decisivo desafio.

A-A TERRA A NOSSA CASA:
01.Somos parte de uma totalidade maior. Relembrar onde estamos, o que somos, nossos limites biológicos e os do nosso meio, se faz necessário para compreender o desafio atual, que nossa espécie vivencia. Sabemos que as necessidades humanas, e as atividades para resolver as mesmas (a prática), são os motores que impulsionam o avanço do conhecimento humano.

02. O planeta, com a sua diversidade física e biológica, é o nosso mundo natural, e entre tantas espécies existentes, somos uma delas. A realidade planetária atual, na geografia que conhecemos, é o resultado da expansão de nossa espécie, e do longo processo de classificação, controle, uso e denominações diferenciados, que demos ao mundo que nos cerca.


B-Nosso planeta em transformação, tem sua história geológica…
03. Busco aqui, com a ajuda de imagens, sintetizar minha pouca capacidade de descrição da maravilha e complexidade da vida.



C.A natureza e a vida
04. As permanentes mudanças no planeta, ocorrem dentro do princípio da Lei de Conservação das massas ( na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma – Lavoisier (1743-1794)). Na Terra temos elementos minerais e biológicos. Os últimos ( vegetais e animais) se caracterizam por terem vida. Ou seja, uma existência entre a concepção e a morte, com crescimento, capacidade de movimento, resposta a estímulos sensitivos, podendo gerar descendentes férteis, com capacidade adaptativa ao meio e, de evoluir.

05. Uma simplória cronologia do surgimento da vida e sua evolução – água, seres unicelulares, a fotossíntese, oxigênio na atmosfera, vida multicelular, reprodução sexual, flora e fauna…… o movimento da água para a terra….. assim a vida transforma suas formas de expressão, segue seu curso adaptando-se, evoluindo. Fazemos parte disto, somos a espécie – gênero Homo sapiens (“homem sábio”).
D.O Homo sapiens
06. A espécie humana, em seu longo processo adaptativo nos diferentes biomas, utilizando e alterando o meio, construiu a “certeza” de sua capacidade superior aos anteriores do gênero homo que nos precederam, ousando se auto-denominar … Homo sapiens (homem sábio). Classificação que nas últimas décadas se coloca em dúvida.
07. No curto período em que existimos (curto na escala de tempo planetário), o Homo sapiens, é a espécie que provocou mais transformações no planeta, eliminando outras espécies, alterando diferentes ecossistemas, etc… até que, só recentemente, descobriu que existem limites de uso dos recursos naturais. Admire a evolução humana, na visão genial do desenhista italiano Milo Manara.



E – Quais nossos limites na natureza?
08. Os recursos da biodiversidade, são as bases da existência de todas as espécies e da vida humana. A eliminação de muitos, a substituição de alguns e, a produção em grande escala de poucos vegetais e animais, que usamos desde a revolução agrícola do neolítico, permitiram a expansão planetária do ser humano. No entanto, recursos vitais, como água doce ficando escassa principalmente, alertam sobre os perigos da continuidade desse ritmo de produção consumista ascendente, que resulta em degradação ambiental.
09. Afinal, a atenção de nossas necessidades essenciais, iniciou e continua com a transformação da matéria mineral, vegetal e animal (que tem seus limites), implementando modificações por meio de diferentes fontes energéticas, gerando objetos e serviços para a nossa complexa vida social. Este processo de permanente transformação e uso de recursos limitados, mesmo com suas substituições de materiais, sempre gera resíduos, desperdícios; os mesmos podem ser mais o menos reutilizados atualmente, sempre dependendo da lógica do lucro.
10. Nossa espécie adaptou-se e, adaptou o ambiente, pautada pela busca de atenção as suas necessidades básicas de vida e de reprodução humana. Neste longo processo foi aperfeiçoando tecnologias no uso da energia nas transformações necessárias aos diferentes materiais, desde a simples fogueira, as fontes de carvão-petróleo que tem prazo para se esgotarem, o que a natureza levou milhões para transformar; e agora, a solar, eólica e nuclear, sempre convertidas ao padrão universal da eletricidade.
11. Os desequilíbrios pelo excessivo uso de certos elementos e de sua propriedade, geraram e geram impasses, tensões, migrações, tecnologias substitutivas-adaptativas, guerras, etc… Principalmente, geram as desigualdades sociais, regionais, com as diferenças de acesso e uso para a atenção das necessidades biológicas e psicossociais da população humana. A nossa espécie, se caracteriza ainda, pela impossibilidades ou, desiguais oportunidades de muitos, de satisfazerem suas necessidades essenciais e culturais mínimas e, pela sua diferenciada oportunidade, capacidade, de acesso aos recursos do meio ambiente, em momentos de abundâncias de alternativas tecnológicas. Estas desigualdades profundas entre nós, são fatores de permanente comprometimento e ameaça ao futuro de todos e, de outras espécies (vegetais e animais).



12. A água doce, é um exemplo síntese de tudo, ao se transformar a cada dia, imperceptívelmente, em mercadoria . O atual “estilo de vida” da humanidade, originou algo único na história da Terra, somos a primeira espécie que tem a capacidade de alterar o clima, (temperaturas e ciclos hídrológicos) como também tecnologia para romper o átomo, gerando um novo patamar de poder energético, destrutivo inimaginável. Como somos os únicos com capacidade de alterarmos o clima do planeta e com isto, o nosso futuro e de outras espécies, só cabe a nós agora decidirmos o nosso futuro comum. Todos acompanham os efeitos da mudança do clima, alguns sofrendo diretamente, a maioria sentados na poltrona, assistindo passivamente, os noticiários dos desastres ambientais que provocamos (incêndios, inundações, secas, tufões, geleiras que derretem, oceanos que se modificam, etc..). Assistimos a um “espetáculo midiático”, que confirma décadas de estudos científicos e, continuamos ainda… debatendo, protelando, remediando. Não é a toa, que mitigar é a palavra perversa em uso no novo vocabulário das tecnocracias.

13. Como espécie, ou mudamos ou, agravamos catástrofes climáticas com consequências sociais globais ou,… nos envolveremos em lutas mortais por recursos naturais, como já comprovam as guerras energéticas dos últimos 100 anos e, as carnificinas atuais. Finalmente, os falsos “sapiens” vão se extingüir? A solução do dilema é só nossa. Pois a extinção da espécie humana, não significa o fim da vida das outras espécies, o planeta continuará existindo e muitas se beneficiarão preenchendo o “nicho da civilização consumista” em que vivemos. No momento, com os desperdícios, má distribuição e efeitos insustentáveis na forma que usamos os recursos naturais, as mudanças climáticas são reais e de difícil inversão, iniciaram lentamente mas, já estão ocorrendo e com maior rapidez.
14. O Homo sapiens, a maioria da nossa espécie, parece não temer a extinção rápida, como a que ocorreu com os dinossauros. Como a mudança climática, não é uma hecatombe nuclear planetária (instantânea), as alternativas já em curso, que convivemos, que não podem parecer como excludentes, sãos conhecidas e pouco comentadas como “rotas de fuga” desta realidade conflituosa. Simplificadamente, as classifico como:
1. A alternativa lucrativa mercantil, gerar rápido tecnologias “sustentáveis” na produção e no reaproveitamento de dejetos, para diminuir o impacto e induzir ou obrigar a adotar as mesmas. Não será necessário outras mudanças, o mercado e as leis garantirão as mudanças, mantendo as desigualdades sob controle. É uma pintura ecológica para manter o consumismo
2. A alternativa elitista: Continuação da prospecção mineral p/exploração de recursos e/ou colonização em outros planetas. (complementar da primeira); . A narrativa da ficção científica e as tecnologias espaciais, já exploram esta nova fronteira espacial com lucro. Já fazem décadas que a prospecção mineral espacial ocorre. Agora, D.Trump afirma que irá colocar a bandeira americana em Marte.

3. A alternativa da neces-sária lógica eco-fraterna: A constatação da irracionalidade destrutiva do do mercado p/o consumismo, resultará em novo estilo de vida (priorizar as necessidades essenciais; diminuir desigualdades, reconhecer que a lógica do lucro é insustentável, desmascarar a falácia da medição do PIB; gerar soberania alimentar; nova ética consumista pautada pelo necessário e não supérfluo induzido, etc…)
15. As profundas desigualdades da humanidade (sociais, nacionais, geográficas, fronteiras) geram dificuldades, desafios, nas decisões. Alguns ignoram os problemas, outros se adiantam, muitos deslumbram um “novo nicho de mercado”, com as novas tecnologias resilientes, mitigadoras do câmbio climático, mas sempre garantindo o lucro. …. no entanto, amplia-se a unanimidade de que estamos ultrapassando limites, que exigem mudanças éticas nos comportamentos e relações humanas. Como demonstram diversas fontes, como a o lindo texto da encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco (2020), onde afirma, “profeticamente” denunciando guerras: Cuidar do mundo que nos rodeia e nos contem, é cuidarmos de nós mesmos. Porém, necessitamos nos constituir em nós mesmos que habitamos a casa comum. Este cuidado não interessa aos interesses econômicos que necessitam um lucro rápido. Freqüentemente as vozes que se levantam em defesa do meio ambiente são caladas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que são apenas interesses particulares. Nesta cultura que estamos gestando, vazia, imediatista e sem um projeto comum, é previsível que diante do esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas por nobres reinvidicações”.
16. No entanto, voltemos aos limites planetários…, já fazem décadas que os cientistas e organismos internacionais, denunciam que o planeta não tem capacidade de fornecer os recursos para um estilo de vida consumistas. Precisaríamos de mais de 2 ou 3 planetas, para sustentar toda a humanidade no mesmo padrão de vida consumista dos EUA ou da Europa, sem falar, do patológico estilo de vida do Catar, Dubai e outros lugares onde impera o supérfluo.
17. Apenas para recordar, desde 2008, com a contribuição de Johan Rockström e Will Steffen, foram formulados os nove limites de mensuração da situação do planeta, para facilitar a monitoração do nosso impacto ambiental e, garantir a nossa vida e de outras espécies no futuro, vejamos:
PRIMEIRO: MUDANÇA CLIMÁTICA: O estudos dos efeitos dos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera, são utilizados. Usando o CO2, sem limite máximo deveria ser 350 ppm (partes por milhão), no entanto já atingimos a 390 ppm. Isto explica a aceleração dos degelos e mudanças de clima;

SEGUNDO: BIODIVERSIDADE: Este é um indicador que se aperfeiçoa, porém a taxa de extinção das espécies é reconhecida como essencial e, o problema é aperfeiçoar as suas quantificações. Se concorda, que a taxa de extinção das espécies está entre 100 a 1.000 vezes maior do que a natural. A capacidade de intervenção humana nos mares e terras de todas as latitudes, tem sido arrasadora para as outras espécies. Foi no período do COVID-19, com as restrições de mobilidade urbana, que surpreendeu a visibilidade de espécies “selvagens”. A perda da biodiversidade dos nossos ecossistemas, empobrece nosso presente e compromete o futuro;
TERCEIRO: EXCESSO DE FERTILIZANTES: O uso excessivo e os resíduos de nitrogênio e fósforo na agropecuária, contaminam solos, águas e mares, diminuindo a falta de oxigênio nos mesmos e afetando o seu equilíbrio, com limitações para a sua produtividade (se estima que + de 11 milhões de toneladas de fósforo chegam anualmente aos oceanos); Os fertilizantes, quase em sua totalidade, são oriundos de petróleo (uma fonte não-renovável), tornando urgente a mudança no paradigma da revolução verde;
QUARTO: A CAMADA DE OZÔNIO ESTRATOSFÉRICA: Nos gases de efeito estufa, os CFC (clorofluocarbonos), além de contribuírem para o aquecimento da terra, agridem a camada de ozônio aumentando a radiação UV (ultravioleta) solar, prejudicial a saúde humana (câncer de pele) e aos ecossistemas;
QUINTO: ACIDEZ DOS OCEANOS: Os mares e oceanos, se estima que absorvem uns 25% do CO2 que resultam das atividades humanas; elas ocasionam aumento da acidez dos oceanos, afetando o fitoplancton que é base das cadeias alimentares, o recifes e corais e… a vida marinha.
SEXTO: A ÁGUA DOCE E O CICLO HIDROLÓGICO DA TERRA: O crescimento da população, sua demanda agropecuária e industrial, a destruição de mananciais, desperdício e dificuldades de acesso para todos, tornam o recurso água doce, cada vez mais um bem escasso. As mudanças nos usos das bacias hidrográficas, mudanças de fluxos, desmatamentos, perdas de nascentes, e demanda crescente, contribuem para alterar ciclos hidrológicos, importantes para reciclar nutrientes, diluir materiais, produzir energia, equilíbrio climático e suporte para a vida;


SÉTIMO: MUDANÇAS NO USO DA TERRA: As terras, são as geradoras de alimentos, no entanto, a inexistência de uma regulação sobre distribuição e proporção mais eficaz para seu uso, para atender necessidades reais e não apenas de lucros, resultam que florestas, áreas húmidas, savanas, etc.., sejam transformadas em lavouras, modificando ecossistemas;
OITAVO: USO DE AEROSÓIS: O aumento do uso de aerossóis, afeta a formação de nuvens, a circulação atmosférica, a radiação solar, ampliam a quantidade de partículas tóxicas no ar, prejudicando à todos;
NONO: DISPERSÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS: Atividades que emitam compostos tóxicos, especialmente metais pesados e materiais radioativos, que podem permanecer centenas de anos no ar e ambiente, com efeitos irreversíveis são um importante indicador à ser considerado.
18. Portanto, nas últimas décadas, desvendamos com mais precisão científica, o nosso relacionamento dependente da natureza, em escala planetária. Assim, vivemos com um desafio para todos, global, de iniciar tentando alterar o EFEITO ESTUFA.
19. Só para recordar, a temperatura do planeta seria muito inferior ao zero com a atual radiação solar, sem os gases atmosféricos e estratosféricos para criarem um manto protetor, para reter o calor emitido pelo sol. Assim como os vidros na estufa, precisamos de adequada proteção para ter vida. Os 9 indicadores anteriores, ilustram que a mesma depende de fatores interligados, temos que monitorar os mesmos e promover mudanças; temos que evitar que os “vidros da nossa estufa” muitos já quebrados, prejudicando as nossas vidas e de nossos descendentes, não sejam destruídos e sim recuperados.
F. O NOSSO DESAFIO DECISIVO:
20. A estabilidade climática do planeta é essencial para a nós e todas as espécies, somos uma parte do ecossistema global, desnudar as dificuldades de relacionamentos sociais que encontrem solução é o desafio.
21. Na COP (Conference of the Parties), os países membros da ONU, se reúnem anualmente para conferir a situação ambiental planetária. Isto é inovador, louvável. Como em todas, se fala muito e se decide pouco. Na nº 27 (nov/2022), muitos falaram, cientistas alertam, algumas confusões persistem, a burocracia-diplomacia internacional trabalha, todos participando do que parece ter se transformado num trabalho corriqueiro, mesmo festivo; Enquanto que não o é, para multidões distantes do evento. Para as porções da população em diversos pontos do planeta, ondem morrem pessoas, são destruídas infraestruturas e esperanças, migrações são forçadas, pelos efeitos de catástrofes climáticas, sem nunca saberem da existência da COP. No entanto, entre os que falaram nesta 27ª COP, estava o Pres. da Colômbia, Gustavo Petro, que fez uma síntese, um decálogo que merecem ser amplamente conhecida, pela simplicidade e lucidez, vejamos:

1º A humanidade deve saber, que se não se supera a crise climática, se extinguirá. Os tempos de extinção que vivemos, devem impulsionarmos para atuar já e globalmente como seres humanos, com o sem a permissão dos governos. É a hora da mobilização de toda a humanidade;
2º O mercado não é o mecanismo principal para superar a crise climática. É o mercado e a acumulação de capital quem a produziu e, não serão jamais o seu remédio;
3º Só é a planificação pública e global, multilateral, a que permite passar para uma economia descarbonizada mundial. A ONU deve ser o cenário desta planificação;
4º É a política mundial, quer dizer a mobilização da humanidade a que corrigirá o rumo e não, o acordo de tecnocratas, influenciados muitos, pelos interesses das empresas de carvão, do petróleo e do gás;
5º Temos que salvar os pilares do clima do planeta, antes de tudo. A selva Amazonica é um dos quatro existentes. Colombia outorgará US$200 milhões anualmente, durante 20 anos, para salvar a selva Amazônica. Esperamos o aporte mundial;
6º A crise climática só se supera, se deixarmos de consumir hidrocarburos. É hora de desvalorizar a economia dos hidrocarburos com datas definidas para seu final e, valorizar as áreas da economia descarbonizadas. A solução é um mundo sem petróleo e sem carvão;
7º Os tratados constitutivos da OMC (Organização Mundial do Comércio) e FMI (Fundo Monetário Internacional) são contrários a solução da crise climática e portanto, devem submeter-se e reformar-se aos acordos da COP e não ao contrário. Enquanto mantivermos o atual tratado da Organização Mundial de Comércio não avançaremos, retrocederemos na solução da crise climática e nos aproximaremos cada vez mais do final;
9º Os bancos privados e multilaterais do mundo, devem deixar de financiar a economia dos hidrocarburos;
10º De imediato, temos que iniciar as negociações da paz. A guerra tira o tempo, vital da humanidade para evitar sua extinção.
O ato, de que vários presidentes tenham participado e denunciado a urgência da problemática, foi um avanço. No entanto, ficaram os registros, esperando o alcance ” das metas enunciadas nos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis). Tudo muda… nestes dias de posse de D. Trump, os EUA abandonam o acordo de Paris, retrocedemos.
OBRIGADO por acompanhar.
Este ensaio tem íntima relação com outros deste blog, como CONSUMIR É A RAZÃO DE EXISTIR?

